Política com conteúdo. Centro com clareza.
sexta-feira, 14 de agosto
Assinar
Agora
Rebeca Romero: “O campo que produz riqueza também precisa cuidar do agricultor”Partidos criam filtros contra candidatos ligados a facções após pressão do Ministério Público EleitoralFabiano Lana: “Fazer campanha para convertidos não fará de ninguém um vencedor”Juliana Brizola e Luciano Zucco empatam pelo governo do Rio Grande do Sul, diz pesquisa QuaestGracinha lidera, Vanderlan, Calil e Gayer empatam pela segunda vaga ao senado em Goiás, diz pesquisa
Política

TSE decidirá na próxima quarta se motorista de aplicativo tem vínculo empregatício

Por Brasil no Centro Publicado em 22 de junho de 2026 às 14:50 3 min de leitura
Compartilhar
TSE decidirá na próxima quarta se motorista de aplicativo tem vínculo empregatício

O Supremo Tribunal Federal vai retomar na próxima quarta-feira, 24, o julgamento que discute se motoristas e entregadores de aplicativo podem ter vínculo empregatício reconhecido com plataformas digitais. A decisão é considerada uma das mais relevantes do ano na área trabalhista, porque deverá orientar todos os tribunais do país sobre a chamada uberização das relações de trabalho.

O tema será analisado a partir de dois processos no plenário da Corte. Um deles é um recurso extraordinário envolvendo a Uber, relatado pelo ministro Edson Fachin, com repercussão geral reconhecida. O outro é uma reclamação constitucional apresentada pela Rappi, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Na prática, o STF decidirá se a relação entre trabalhadores de aplicativos e empresas de tecnologia pode ser enquadrada como emprego formal, com direitos previstos na CLT, ou se deve prevalecer o modelo de prestação de serviços autônomos. A tese fixada pelo Supremo passará a servir de referência obrigatória para decisões nas instâncias inferiores.

O julgamento ocorre em meio a divergências entre a Justiça do Trabalho e o próprio Supremo. Em decisões anteriores, tribunais trabalhistas reconheceram vínculo entre motoristas e plataformas ao apontar elementos de subordinação, inclusive por meio de regras definidas por algoritmos. Entre os argumentos estão o controle sobre tarifas, taxas, rotas sugeridas, critérios de avaliação e possibilidade de bloqueio de trabalhadores.

As empresas, por outro lado, sustentam que atuam como intermediadoras tecnológicas, conectando passageiros, consumidores, motoristas e entregadores. A defesa das plataformas afirma que os profissionais aderem voluntariamente aos aplicativos, escolhem quando trabalhar e não estão submetidos a uma relação tradicional de emprego.

A Procuradoria-Geral da República já se manifestou contra o reconhecimento automático de vínculo empregatício entre motoristas de aplicativo e empresas do setor. O procurador-geral Paulo Gonet argumentou que a Constituição permite diferentes formas de contratação e não impõe um único modelo baseado na CLT.

O caso coloca o Supremo diante de uma escolha com forte impacto econômico e social. Se o vínculo for reconhecido, empresas do setor poderão ser obrigadas a registrar trabalhadores, pagar encargos trabalhistas e garantir direitos como férias, décimo terceiro salário, FGTS e jornada regulamentada. Se o STF rejeitar o vínculo, o modelo de trabalhador autônomo tende a ser consolidado, com efeitos diretos sobre milhões de brasileiros que dependem dos aplicativos para gerar renda.

A decisão também expõe uma lacuna que o Brasil ainda não conseguiu resolver pela via legislativa. Enquanto a economia digital avança rapidamente, o país segue preso a um conflito entre proteção social, segurança jurídica e inovação. O julgamento do STF deve definir um marco para o setor, mas a discussão sobre uma legislação moderna para o trabalho por aplicativo continuará no centro do debate público.