50% dos brasileiros preferem ter menos serviços públicos do que pagar mais impostos

Uma nova pesquisa do Datafolha revela uma mudança na percepção dos brasileiros sobre a relação entre carga tributária e oferta de serviços públicos. Segundo o levantamento, metade dos entrevistados afirma preferir pagar menos impostos e recorrer à contratação de serviços privados de saúde e educação, enquanto 44% defendem a manutenção de uma carga tributária maior em troca da oferta gratuita desses serviços pelo Estado.
O resultado representa uma alteração em relação ao cenário registrado em 2022. Naquele período, as duas posições apareciam praticamente empatadas dentro da margem de erro, com 46% favoráveis à redução de impostos e 48% defendendo maior arrecadação para financiar serviços públicos.
A pesquisa também identificou diferenças de opinião entre grupos específicos da população. Entre os homens, a preferência por uma carga tributária menor é predominante, enquanto entre as mulheres a opção por manter impostos mais elevados em troca da oferta de serviços públicos aparece com vantagem.
O levantamento mostra ainda distinções conforme a religião dos entrevistados. Entre os evangélicos, a maioria declarou preferência pela redução da carga tributária. Já entre os católicos, houve equilíbrio entre os dois posicionamentos.
Os dados também foram segmentados de acordo com a intenção de voto para a eleição presidencial. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevalece a preferência por pagar mais impostos para garantir serviços públicos gratuitos. Já entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro, a maioria afirmou optar por uma carga tributária menor, mesmo com maior participação da iniciativa privada na prestação desses serviços.
A pergunta faz parte da chamada matriz ideológica do instituto, que reúne questões sobre o papel do Estado na economia, benefícios sociais, investimentos públicos, legislação trabalhista e responsabilidade pelo desenvolvimento econômico do país.
O Datafolha entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros entre os dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.