Pré-candidato ao Senado, Márcio Canella é alvo da PF em operação que investiga movimentação de R$ 7,6 bilhões no Rio

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, a sexta fase da Operação Unha e Carne para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos no estado do Rio de Janeiro. Entre os alvos da ação está Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Federal.
Canella foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal, na capital fluminense, para prestar esclarecimentos durante o cumprimento das diligências. Além dele, a operação também teve como alvo o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, além de outros investigados apontados pelas autoridades como integrantes ou colaboradores do suposto esquema criminoso.
Ao todo, agentes federais cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na cidade do Rio de Janeiro e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também autorizou o bloqueio de bens, valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas vinculadas aos investigados.
Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que uma rede de postos de combustíveis teria sido utilizada para ocultar recursos de origem ilícita. As apurações tiveram como base informações produzidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelos investigados.
Entre os alvos também estão o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, apontado pelos investigadores como proprietário oculto de uma rede de postos de combustíveis por meio de terceiros, e o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, condenado anteriormente por crimes relacionados à atuação de grupos paramilitares.
A Polícia Federal informou que os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, fraude em contratos públicos e outras infrações eventualmente identificadas durante a investigação.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro em cumprimento às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
Em nota, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que instaurou procedimento administrativo para acompanhar os fatos relacionados aos policiais envolvidos e declarou que continuará colaborando com as investigações conduzidas pelos órgãos competentes.
Até o momento, as investigações permanecem em andamento. Os citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa, não havendo condenação judicial definitiva em relação aos fatos apurados nesta fase da operação.