Filho de Kassio Nunes Marques recebeu R$ 27,7 milhões em apenas dois anos como advogado

O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques, passou a ser alvo de atenção após documentos financeiros indicarem aplicações que somam R$ 27,7 milhões em fundos de investimento pouco mais de dois anos após iniciar sua carreira na advocacia.
As informações constam de documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) encaminhados à CPI do Crime Organizado do Senado e divulgados pela imprensa. Os registros apontam que, ao longo de 2025, o patrimônio financeiro do advogado cresceu significativamente por meio de aplicações em fundos de renda fixa administrados pelo Banco do Brasil.
Segundo os documentos, Kevin possuía aproximadamente R$ 5 milhões investidos até agosto de 2025. Nos meses seguintes, realizou uma nova aplicação superior a R$ 22 milhões, elevando o montante total para cerca de R$ 27,7 milhões.
Até o momento, não há indicação oficial de irregularidade nas aplicações financeiras ou no patrimônio do advogado.
Por meio de nota, a defesa de Kevin Marques informou que todos os recursos estão regularmente declarados à Receita Federal, tanto nas declarações de pessoa física quanto da pessoa jurídica. A assessoria também destacou que ele não atua em processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil em fevereiro de 2024, Kevin abriu seu escritório meses depois e passou a representar clientes de grande porte. Entre eles estão a distribuidora Refit e o Grupo Petrópolis, responsável pela marca Itaipava.
Grande parte de sua atuação ocorre no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, onde seu pai atuou antes de ser indicado ao STF, além do Tribunal de Justiça do Piauí. Também há registros de processos em outras cortes superiores e estaduais.
A reportagem que revelou os dados afirma que o escritório do advogado não informou a origem específica dos recursos investidos nem detalhou a carteira de clientes responsável pela evolução patrimonial.
O caso também reacendeu o debate sobre a atuação profissional de parentes de ministros dos tribunais superiores, especialmente em processos envolvendo grandes empresas ou temas de elevado impacto econômico.
Entre os clientes atendidos por Kevin está a Refit, empresa controlada pelo empresário Ricardo Magro. O advogado também representa interesses do Grupo Petrópolis em ações no TRF-1.
Outro ponto citado é a prestação de serviços para uma empresa de consultoria tributária que manteve contratos com o Banco Master e com a JBS. Segundo esclarecimentos anteriores do advogado, os valores recebidos referem-se exclusivamente à prestação de serviços jurídicos.
As empresas mencionadas afirmaram, em manifestações públicas anteriores, que contrataram serviços técnicos e de consultoria dentro de suas atividades empresariais. Parte delas optou por não comentar especificamente a atuação do advogado.
Até o momento, não há investigação judicial anunciada contra Kevin Marques relacionada à evolução de seu patrimônio ou ao exercício da advocacia.