Caminhoneiros anunciam paralização em luta por MP do frete

A mobilização dos caminhoneiros voltou ao centro do debate nacional após lideranças da categoria anunciarem uma paralisação nos portos brasileiros para pressionar o Senado Federal a votar a Medida Provisória nº 1.343 antes que ela perca a validade.
O movimento foi convocado pelo presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão. Segundo ele, a decisão foi tomada após sucessivas tentativas de sensibilizar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a incluir a proposta na pauta de votação.
A medida provisória foi editada pelo governo federal em março, em meio às negociações com representantes da categoria, e precisa ser apreciada pelo Congresso Nacional até esta semana. Caso não seja votada dentro do prazo constitucional, o texto perderá a validade.
Entre as principais mudanças previstas estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, levando em consideração custos operacionais como combustível, manutenção, seguros e demais despesas da atividade. A proposta também estabelece um piso salarial nacional de R$ 5 mil para trabalhadores celetistas do transporte rodoviário de cargas.
Após aprovação na Câmara dos Deputados, o texto seguiu para análise do Senado. Durante a tramitação, os parlamentares incluíram uma emenda prevendo anistia a multas aplicadas a caminhoneiros e transportadores envolvidos nos bloqueios de rodovias registrados após as eleições presidenciais de 2022.
Wallace Landim afirmou que a paralisação permanecerá enquanto houver incerteza sobre a votação da medida provisória. Segundo o dirigente, a categoria teme perder as alterações negociadas ao longo dos últimos meses caso a MP expire sem apreciação pelo Senado.
Lideranças do movimento informaram que a mobilização deverá ocorrer principalmente nas áreas portuárias, consideradas estratégicas para o escoamento da produção nacional, mas ressaltaram que acompanharão a evolução das negociações em Brasília antes de decidir pela ampliação dos protestos.
A expectativa entre os caminhoneiros é que o Senado conclua a votação da matéria antes do vencimento do prazo legal, evitando que as novas regras deixem de produzir efeitos.
O episódio reacende a pressão sobre o Congresso em torno das pautas do transporte rodoviário, setor considerado essencial para a logística nacional e frequentemente protagonista de mobilizações quando reivindicações relacionadas ao frete e às condições de trabalho permanecem sem definição.