Contrariando promessa da ANTT, Brasil perde empresas e linhas de ônibus

O transporte rodoviário interestadual de passageiros no Brasil registrou queda significativa em 2025, na contramão do prometido pelo novo marco regulatório. Segundo dados inéditos do anuário setorial da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o número de empresas em operação caiu de 186, em 2024, para 176, enquanto as linhas regulares diminuíram de 2.389 para 2.127.
O cenário contraria a expectativa de maior competição e abertura do mercado, prevista na resolução nº 6.033 de dezembro de 2023. Procurada, a ANTT afirmou que as empresas têm liberdade para definir a operação de seus serviços, podendo alterar trechos ou suspender linhas, além de receber sanções em caso de irregularidades. A agência destacou que fusões societárias e decisões judiciais também influenciam diretamente a quantidade de operadores ativos.
O marco regulatório, que foi apresentado como instrumento para combater monopólios, vem sendo questionado pelo Ministério Público Federal. Em relatórios, o órgão apontou que a agência favoreceria grandes grupos do setor, excluindo ao menos 220 rotas operadas por empresas ligadas a um mesmo controlador, o que poderia concentrar ainda mais o mercado. Atualmente, existem aproximadamente 25 mil mercados de transporte interestadual que dependem de decisões judiciais, evidenciando as barreiras para a entrada de novos competidores.
Especialistas do setor alertam que a redução de empresas e linhas prejudica a competição e a diversidade de serviços disponíveis à população. Ao mesmo tempo, o cenário mostra que, apesar da abertura prometida, o transporte rodoviário ainda enfrenta limitações estruturais que dificultam o acesso de novos operadores ao mercado, impactando diretamente a mobilidade e a oferta de opções para os passageiros.