Após ser alvo da PF, Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões

O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou efetivar a venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo de operação da Polícia Federal, que investiga suspeita de recebimento de propina do Banco Master. A transação, porém, foi impedida pelo cartório de registro de imóveis, que recebeu ordem de bloqueio de bens do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
A defesa do senador afirmou que não há irregularidades na negociação e que todos os atos realizados seguem normas legais. “A venda do imóvel é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025, conforme demonstram os documentos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, disse o advogado Pablo Domingues.
Segundo os documentos, o acordo incluía a permuta do terreno por lotes de empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, já quitado, com os demais valores sendo pagos em lotes do empreendimento, respeitando todas as normas tributárias. A transação inicial havia sido protocolada no cartório de Camaçari em 19 de junho de 2026, quando o bloqueio do STF tornou a operação inviável.
Além do terreno, Wagner já havia acertado a venda de um apartamento de sua propriedade em Salvador, em negociação realizada antes da operação da PF, que também foi bloqueada. O senador já recebeu aproximadamente R$ 12 milhões pelas transações. Ele deixou a liderança do governo no Senado após a operação e segue como pré-candidato à reeleição.
A área negociada pelo senador integra um projeto imobiliário vinculado ao novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia SAF. A Lagoons Empreendimentos, compradora do terreno, afirmou que todas as aquisições seguiram critérios técnicos e de mercado, com validação de consultorias independentes, incluindo due diligence e certidões emitidas pelo cartório, que não indicavam restrições à escritura pública de compra e venda.
Segundo o senador, todos os negócios foram realizados de boa-fé e dentro da legalidade, com contratos datados de 2025 e pagamentos comprovadamente realizados. “Tenho um nome a zelar e nunca estive envolvido em nenhuma irregularidade. A transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade”, afirmou.