Disputa entre Carlos Viana e Marcelo Aro por vaga ao Senado pode implodir coligação de Mateus Simões em Minas

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), enfrenta um desafio inesperado na consolidação de sua coligação para a eleição de outubro. A rivalidade entre o senador Carlos Viana (PSD), presidente da CPI do INSS, e o ex-secretário da Casa Civil do governo Zema, Marcelo Aro (PP), ameaça desestabilizar a base do pré-candidato, colocando em risco o apoio da federação União Progressista, que concentra grande parte do tempo de propaganda eleitoral de Simões.
A tensão surgiu nos bastidores, quando integrantes do União Brasil e do PP passaram a avaliar a possibilidade de lançar Aro como candidato ao Senado, rompendo com Simões e enfraquecendo a composição que ele planejava. Fontes próximas à federação indicam que a movimentação é também uma pressão para que o governador reavalie a inclusão de Viana na chapa, mas o cenário pode se intensificar caso os números das pesquisas eleitorais não se alterem significativamente nas próximas semanas.
Em entrevista, Mateus Simões afirmou que mantém acordo com os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, e aguarda a definição formal da coligação. “Não cabe a mim comentar o impasse entre os dois candidatos. Nosso compromisso é com a unidade da coligação e com o fortalecimento da candidatura ao governo”, disse o governador.
O impacto de uma eventual ruptura vai além da União Progressista. Marcelo Aro mantém influência considerável no Podemos e em outras legendas menores, podendo mobilizar votos e recursos que antes estariam alinhados a Simões. Questionado sobre o impasse, Aro declarou que seu objetivo é priorizar a eleição ao Senado e que a permanência de Viana na chapa não corresponde a seus interesses políticos.
Carlos Viana, por sua vez, afirmou que o PSD não será guiado por vaidades e ressaltou que possui um projeto sólido para Minas Gerais, envolvendo tanto o governo estadual quanto a sua candidatura ao Senado. Viana, que se elegeu em 2018 na onda bolsonarista, chegou a liderar o governo de Jair Bolsonaro (PL) no Senado antes de romper com o ex-presidente em 2022. Apesar da reconciliação recente, a disputa com Aro reacende a atenção sobre a configuração da chapa estadual.
O cenário se complica diante do histórico da CPI do INSS, presidida por Viana, cuja atuação sem a votação do relatório final rendeu visibilidade política e reforçou sua imagem como candidato independente do bolsonarismo, inclusive no interior de Minas Gerais. Ao mesmo tempo, Simões tem buscado ampliar apoios, mantendo encontros estratégicos com lideranças nacionais como o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o deputado federal Baleia Rossi (PSDB), na tentativa de consolidar alianças fora do espectro da União Progressista.
A definição sobre a composição da chapa estadual de Minas e a distribuição das vagas ao Senado ainda deve ocorrer nos próximos dias, enquanto a corrida eleitoral se aproxima e o tempo de propaganda se torna cada vez mais estratégico.