Falta de confiança na palavra de Cleitinho fez Republicanos abdicar de candidatura

A decisão do Republicanos de retirar a candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais abriu uma nova fase nas articulações para a sucessão estadual. O partido comunicou que desistiu de levar adiante o projeto após meses de negociações marcados por dúvidas sobre a disposição do parlamentar em assumir oficialmente a disputa.
Embora Cleitinho aparecesse em posição competitiva nas pesquisas eleitorais para o Palácio Tiradentes, a avaliação interna da legenda foi de que faltou uma definição clara do próprio senador para consolidar a candidatura e permitir a construção de uma aliança política mais ampla.
Em nota divulgada pelo diretório estadual, o Republicanos afirmou que trabalhou para viabilizar o projeto, articulou apoios e aguardou uma decisão definitiva do parlamentar, mas considerou que a indefinição comprometeu o planejamento eleitoral do partido.
Segundo a legenda, uma candidatura exige uma decisão firme de quem pretende liderá-la. O partido afirmou que “o que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.
A posição da sigla, porém, foi contestada pelo próprio Cleitinho, que afirmou após o anúncio que pretende disputar o governo mineiro. O senador declarou que sua candidatura está mantida e apresentou o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão (Republicanos) como possível candidato a vice.
O impasse ocorre justamente em um momento decisivo para a formação das chapas em Minas Gerais. Com a saída do Republicanos da construção inicial, partidos aliados passaram a discutir novas alternativas para a disputa pelo governo estadual.
Nos bastidores, ganhou força o nome do ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP), que passou a ser articulado como uma opção para reunir diferentes partidos em torno de uma candidatura competitiva. A movimentação envolve legendas como PL, PP, União Brasil e Republicanos.
A crise entre Cleitinho e o partido teria sido agravada pela percepção de dirigentes de que o senador adotou posições políticas consideradas imprevisíveis durante o processo de construção da candidatura. Para lideranças partidárias, a dificuldade não estaria relacionada ao potencial eleitoral do parlamentar, mas à necessidade de apresentar um projeto de governo com maior previsibilidade.
O episódio também interfere nas articulações para o palanque presidencial em Minas Gerais. O estado, considerado estratégico pelo peso eleitoral, é alvo de disputa entre diferentes grupos políticos que buscam consolidar apoio para a eleição nacional de 2026.
Com a mudança de cenário, os partidos agora trabalham para reorganizar alianças e definir uma composição capaz de disputar o governo de Minas em uma eleição marcada por grande fragmentação política.