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Política

Lulinha é alvo de nova investigação da PF por tráfico de influência e corrupção

Por Brasil no Centro Publicado em 31 de julho de 2026 às 13:06 4 min de leitura
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Lulinha é alvo de nova investigação da PF por tráfico de influência e corrupção

A Polícia Federal abriu uma nova investigação para apurar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da PF para investigar possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção.

A apuração busca esclarecer se Lulinha teria utilizado conexões com integrantes do governo federal para obter vantagens em negócios relacionados ao mercado de cannabis medicinal. A investigação analisa possíveis relações entre empresários, consultores e pessoas ligadas ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial.

Segundo informações reunidas pela Polícia Federal, o caso teve origem em elementos obtidos durante outras apurações, incluindo mensagens e movimentações financeiras que levantaram suspeitas sobre possíveis articulações envolvendo empresários interessados em contratos públicos.

Entre os nomes citados na investigação está Roberta Luchsinger, empresária que atua no setor de consultoria e aproximação entre empresas e órgãos públicos, além de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado em outro contexto relacionado a suspeitas envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

A PF apura se houve tentativa de influência junto ao governo federal para facilitar negociações relacionadas ao fornecimento de medicamentos à base de cannabis medicinal. Entre os elementos analisados está uma mensagem na qual um dos envolvidos menciona um pagamento de R$ 300 mil destinado ao “filho do rapaz”. Os investigadores buscam esclarecer se a referência seria a Lulinha.

Em depoimento à Polícia Federal, Roberta afirmou que os valores recebidos estavam relacionados a serviços de consultoria no setor de cannabis medicinal e negou ter repassado recursos ao filho do presidente. Segundo ela, a aproximação entre Lulinha e empresários ocorreu antes das suspeitas investigadas e tinha relação com o interesse dele pelo tema.

A empresária também relatou que Lulinha demonstrava curiosidade sobre tratamentos com derivados de cannabis devido a casos de familiares que utilizavam medicamentos desse tipo. De acordo com a versão apresentada, esse interesse teria levado a contatos com representantes do setor.

A nova investigação amplia o desgaste político envolvendo o governo federal a poucos meses das eleições de 2026. O caso surge após uma série de apurações relacionadas à chamada Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo recursos de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Durante as investigações anteriores, pedidos de acesso a informações financeiras envolvendo pessoas próximas a Lulinha chegaram ao Supremo Tribunal Federal. A tramitação gerou debates jurídicos sobre os limites das medidas adotadas e sobre a competência da Corte para analisar o caso.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo do pedido apresentado pela Polícia Federal e que, sem conhecer os autos, não poderia comentar detalhadamente a investigação. Os advogados sustentam que o empresário não possui relação com as irregularidades investigadas no INSS e questionam a abertura de uma nova apuração.

A defesa de Roberta Luchsinger também afirmou não ter sido comunicada oficialmente sobre o novo inquérito e declarou que os fatos já são analisados em outras investigações. Já a defesa de Antônio Camilo Antunes informou não ter conhecimento sobre o pedido de abertura da apuração.

Após a divulgação da investigação, o presidente Lula afirmou que confia na versão apresentada pelo filho, mas declarou que, caso seja comprovada alguma irregularidade, ele deverá responder como qualquer cidadão.

“Se for culpado, ele vai ter que pagar como todo mundo”, afirmou o presidente durante entrevista.

A Polícia Federal seguirá com a coleta de informações para avaliar se houve prática de crimes ou se os elementos levantados não confirmam as suspeitas iniciais. Até o momento, os investigados não possuem condenação e têm garantidos os direitos ao contraditório e à ampla defesa.