Após reclamação da PF, Receita Federal diz que seguirá fazendo operações antidrogas

A Receita Federal afirmou que continuará realizando operações de combate ao tráfico internacional de drogas após manifestações de integrantes da Polícia Federal questionando a atuação do órgão em algumas fiscalizações. Segundo a Receita, as atribuições das duas instituições são complementares e fazem parte da estratégia de enfrentamento ao crime organizado.
A reação ocorre após policiais federais apontarem preocupação com determinadas operações realizadas por auditores da Receita, alegando que algumas ações poderiam ultrapassar competências ou interferir em investigações conduzidas pela PF.
O episódio que ampliou o atrito entre os órgãos envolveu uma apreensão de mais de 260 toneladas de madeira realizada pela Receita Federal em junho. A operação foi divulgada como uma das maiores já realizadas pelo órgão, sob suspeita de que a carga pudesse estar sendo utilizada para transporte internacional de drogas. Posteriormente, análises iniciais não identificaram cocaína no material apreendido.
Após a repercussão do caso, a Receita Federal divulgou nota reafirmando que suas equipes continuarão atuando contra organizações criminosas e destacou a necessidade de fiscalização sobre cadeias logísticas internacionais utilizadas pelo tráfico.
“As equipes devem atuar com rigor técnico, prontidão e absoluta intolerância diante de ameaças de utilização das cadeias logísticas internacionais para o narcotráfico, a exploração ilegal de madeira e demais atividades criminosas”, afirmou o órgão.
A Receita informou ainda que tem ampliado investimentos em inteligência de dados, integração com órgãos nacionais e cooperação internacional para identificar novas estratégias utilizadas por grupos criminosos para esconder drogas e outros produtos ilegais.
Segundo dados apresentados pelo órgão, as apreensões de entorpecentes cresceram nos últimos anos. Em 2025, a Receita registrou cerca de 80 mil toneladas de drogas apreendidas, número considerado recorde e 16% superior ao registrado no ano anterior.
Do total apreendido, aproximadamente 75% correspondia a maconha, enquanto a cocaína representou mais de 20% das apreensões. O restante envolvia outros tipos de substâncias ilícitas.
Internamente, servidores da Receita defendem que o debate sobre as competências entre os órgãos deve ocorrer dentro das instituições e afirmam que o controle de fronteiras exige atuação conjunta entre diferentes áreas do Estado.
Sobre a carga de madeira que não teve confirmação inicial de presença de cocaína, o governo informou que ainda existem análises periciais em andamento e afirmou que eventuais resultados negativos fazem parte do processo de fiscalização e não devem impedir ações preventivas contra organizações criminosas.
A Receita Federal reforçou que seguirá realizando operações de fiscalização e combate ao crime, enquanto PF e demais órgãos de segurança pública mantêm suas próprias atribuições no enfrentamento ao tráfico de drogas.