Presidente da Argentina chama Lula de ‘ladrão e corrupto’

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o brasileiro seria “ladrão” e “corrupto” durante entrevista concedida ao jornal argentino La Nación. As declarações ampliaram a tensão entre os dois líderes sul-americanos, que acumulam divergências públicas desde o início do atual governo argentino.
Na entrevista, Milei afirmou que Lula não seria inocentado pelas condenações relacionadas à Operação Lava Jato e disse que as decisões judiciais que anularam os processos contra o petista não representariam uma absolvição sobre os fatos investigados.
“Ele foi solto por uma falha processual. Ele não é inocente”, declarou o presidente argentino.
As condenações de Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, após a Corte entender que os processos não tramitaram no juízo competente e que houve parcialidade do então juiz Sergio Moro na condução das ações.
Milei também defendeu as declarações feitas durante a convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que suas críticas ao presidente brasileiro seriam justificadas.
“É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, afirmou.
Durante a entrevista, o presidente argentino também acusou Lula de interferência política em países da América Latina e criticou governos alinhados à esquerda na região. Milei afirmou que existiria uma atuação brasileira para influenciar debates políticos em outros países, mas não apresentou provas para sustentar a declaração.
O argentino ainda reclamou do que classificou como uma diferença de tratamento em relação às críticas feitas contra ele por lideranças políticas de esquerda. Segundo Milei, seus adversários internacionais seriam tolerados quando fazem ataques contra sua gestão, enquanto suas declarações gerariam reações imediatas.
As novas críticas acontecem após a participação de Milei na convenção do PL realizada em São Paulo, em julho, quando o argentino declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial brasileira. Na ocasião, afirmou confiar no senador para combater o que chamou de avanço do socialismo na região.
O discurso do presidente argentino provocou reação do governo brasileiro e abriu uma nova crise diplomática entre os dois países. O Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos após as declarações.
Questionado sobre os ataques, Lula respondeu de forma irônica ao comentar a postura do líder argentino. “Quem é esse cara?”, afirmou o presidente brasileiro.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou as declarações de Milei como “lamentáveis” e afirmou que ataques pessoais entre chefes de Estado prejudicam a relação entre países vizinhos.
Integrantes do governo brasileiro também reagiram às falas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou o presidente argentino, enquanto o ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, também fez críticas públicas ao argentino.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro elogiou a participação de Milei na convenção do PL e afirmou que o discurso do argentino representava críticas ao socialismo, e não ao Brasil.
O episódio reforça o ambiente de forte polarização política no continente e coloca novamente no centro do debate a relação entre governos de diferentes orientações ideológicas na América do Sul.