PF fecha o cerco e pede abertura de 3º inquérito contra Lulinha

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um terceiro inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido tem como base suspeitas relacionadas a possível tráfico de influência e será analisado pela Corte.
A nova apuração ocorre após o STF autorizar recentemente outros dois inquéritos envolvendo o empresário. Um deles investiga suspeitas de que Lulinha teria atuado para facilitar negociações envolvendo o mercado de cannabis medicinal e empresas com interesses junto ao governo federal. A investigação busca esclarecer se houve eventual intermediação de acesso a órgãos públicos em troca de vantagens financeiras.
O segundo procedimento autorizado pela Justiça apura a suspeita de que o filho do presidente teria participado de articulações para beneficiar um empresário interessado em contratos e negociações com órgãos públicos, incluindo a Dataprev, empresa estatal ligada à área de tecnologia.
Segundo a defesa de Lulinha, o novo pedido da Polícia Federal será questionado. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a sequência de investigações representa uma tentativa de ampliar as apurações sem elementos suficientes já identificados.
“Não encontrei nada aqui e vou procurar ali. Isso fragiliza as instituições, traz insegurança para o processo eleitoral”, declarou o defensor, classificando a iniciativa como uma “pesca probatória”.
O presidente Lula afirmou que não pretende utilizar o cargo para interferir em qualquer investigação envolvendo o filho. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o petista disse que Lulinha deverá responder pelos próprios atos caso sejam comprovadas irregularidades.
“Não vou usar minha carga para proteger. Ele vai ter que provar que é inocente como eu provei”, afirmou o presidente.
As investigações autorizadas anteriormente estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. O novo pedido apresentado pela Polícia Federal deverá seguir o trâmite interno da Corte para definição do responsável pela condução do caso.
A abertura de novas apurações envolvendo o filho do presidente acontece em meio ao cenário eleitoral de 2026 e aumenta a pressão política sobre o governo federal, que busca manter a agenda de reeleição de Lula.