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Política

Exército Brasileiro prepara compra de drones camicases turcos

Por Brasil no Centro Publicado em 4 de agosto de 2026 às 13:15 4 min de leitura
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Exército Brasileiro prepara compra de drones camicases turcos

O Exército Brasileiro iniciou o processo para adquirir seus primeiros drones camicases, equipamentos de ataque remoto conhecidos internacionalmente como munições vagantes, em um movimento que marca uma nova etapa de modernização da capacidade operacional da Força Terrestre.

A aquisição prevê a compra inicial de 14 sistemas de drones equipados com lançadores, estação de controle, equipamentos de transporte e simulador de treinamento. A concorrência internacional foi aberta para fornecedores estrangeiros após o Exército identificar a necessidade de incorporar esse tipo de tecnologia ao recém-criado Batalhão de Drones.

Os equipamentos buscados pelo Exército pertencem à categoria de drones FPV (First Person View), que permitem ao operador acompanhar em tempo real a missão e direcionar o equipamento até o alvo. Esse tipo de tecnologia ganhou destaque nos conflitos recentes, especialmente na guerra entre Rússia e Ucrânia, onde passou a ser utilizado contra veículos blindados, posições militares e estruturas estratégicas.

O sistema adquirido deverá atender a requisitos específicos estabelecidos pela Força Terrestre, incluindo peso máximo de aproximadamente 20 quilos, autonomia mínima de voo de 20 minutos, alcance operacional de até 40 quilômetros e capacidade para transportar carga explosiva de até dois quilos.

A previsão é que os primeiros equipamentos sejam destinados a uma companhia vinculada ao Batalhão de Drones da Aviação do Exército, em uma fase inicial de avaliação operacional. A intenção é testar a utilização dos sistemas em campo e desenvolver uma doutrina própria antes de uma eventual expansão da compra para outras unidades militares.

O projeto faz parte do programa estratégico de modernização da área de fogos do Exército, dentro da iniciativa Força 40, que busca preparar a instituição para novos cenários de combate marcados pelo uso crescente de tecnologias digitais, guerra eletrônica e sistemas autônomos.

Antes da decisão pela compra internacional, o Exército realizou consultas junto à indústria nacional de defesa para avaliar a possibilidade de produção local. Empresas brasileiras participaram de testes e apresentaram soluções envolvendo drones de monitoramento, lançamento de artefatos e apoio às operações militares, mas ainda não havia no país um fornecedor com uma munição vagante totalmente desenvolvida e pronta para entrega.

Entre os fabricantes nacionais interessados em participar desse mercado estão empresas que buscam parcerias internacionais, especialmente com companhias turcas especializadas em drones militares. A estratégia do Exército é ampliar a participação da Base Industrial de Defesa brasileira, permitindo que futuras aquisições possam envolver transferência de tecnologia e produção nacional.

A Força Terrestre também avalia alternativas com empresas estrangeiras que possuem atuação no Brasil, incluindo grupos com capacidade de desenvolver equipamentos em território nacional. O objetivo é reduzir dependências externas e fortalecer a indústria estratégica de defesa.

O processo de aquisição começou a ser estruturado em 2023, quando o Exército abriu consultas para receber informações de fabricantes sobre preços, capacidades técnicas e possibilidades de fornecimento de diferentes modelos de munições vagantes.

Além da compra dos drones camicases, a modernização faz parte de um redesenho mais amplo do Exército Brasileiro, que considera as mudanças observadas nos conflitos atuais. Entre os desafios estão a necessidade de atuar em ambientes com maior vigilância por sensores, ataques de precisão a baixo custo e integração entre diferentes sistemas militares.

A chamada Era dos Drones já transformou a dinâmica dos campos de batalha modernos, permitindo que forças militares utilizem equipamentos relativamente baratos para realizar missões antes restritas a plataformas mais complexas e caras. O Exército Brasileiro busca acompanhar essa transformação tecnológica com a criação de novas capacidades operacionais.