Crise com a Argentina: Embaixador de Milei deixará o Brasil após rebaixamento das relações diplomáticas

O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, deixará o território brasileiro neste domingo (9), após o governo brasileiro decidir rebaixar o nível da relação diplomática entre os dois países. A mudança ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo declarações do presidente argentino Javier Milei e o governo brasileiro.
Com a saída de Raimondi, a representação argentina em Brasília ficará temporariamente sob responsabilidade da ministra María Emilia Cortés, atual chefe de chancelaria da embaixada. O retorno do diplomata argentino foi confirmado por fontes ligadas ao governo de Buenos Aires.
A decisão brasileira de reduzir a relação diplomática para o nível de encarregados de negócios foi comunicada após o Itamaraty entregar uma nota de protesto ao representante argentino no Brasil. O governo brasileiro apontou como motivo a sequência de manifestações feitas por Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A crise entre os dois países ganhou força após a participação de Milei na convenção nacional do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Durante o evento realizado em São Paulo, o presidente argentino fez críticas ao governo brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Após a manifestação pública, o Brasil convocou seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas, medida tradicionalmente utilizada pela diplomacia como sinal de insatisfação. O governo brasileiro também solicitou explicações ao embaixador argentino em Brasília.
Apesar da reação diplomática, Milei voltou a fazer novas declarações contra Lula em entrevistas concedidas a veículos argentinos, repetindo críticas ao presidente brasileiro e ampliando o desgaste entre os governos.
A troca de acusações aprofundou uma das maiores crises recentes na relação entre Brasil e Argentina, dois países que historicamente mantêm forte integração econômica e diplomática na América do Sul.
O Itamaraty informou que a redução da representação diplomática permanecerá enquanto não houver uma sinalização de distensão por parte do governo argentino. A Argentina, por sua vez, afirmou que considera a decisão brasileira uma medida unilateral e defendeu a continuidade dos canais diplomáticos.