
A disputa pela Presidência da República em 2026 ganhou um novo foco estratégico: o eleitorado com mais de 60 anos. Com cerca de 37,5 milhões de eleitores aptos a votar, o grupo representa aproximadamente 23,5% do eleitorado brasileiro e passou a ser considerado decisivo pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O peso desse segmento aumenta diante de um cenário eleitoral projetado como acirrado. Pesquisas recentes indicam uma disputa equilibrada entre os principais nomes colocados para a corrida presidencial, fazendo com que grupos específicos do eleitorado ganhem atenção especial nas estratégias políticas.
Levantamentos divulgados nas últimas semanas mostram que Lula mantém vantagem entre os eleitores mais velhos. Pesquisa Datafolha apontou que o presidente aparece à frente de Flávio Bolsonaro entre pessoas acima de 60 anos em um eventual segundo turno.
A campanha petista avalia que parte desse eleitorado mantém uma ligação histórica com os governos anteriores de Lula e pretende explorar a memória de políticas sociais e econômicas implementadas durante seus primeiros mandatos. A estratégia também envolve estimular a participação de idosos que podem enfrentar dificuldades de mobilidade ou menor interesse no processo eleitoral.
Durante a convenção nacional do PT, Lula afirmou que pretende ampliar ações voltadas à população idosa e destacou a necessidade de políticas públicas específicas para essa parcela da sociedade.
Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro busca ampliar sua presença entre aposentados e idosos utilizando a imagem do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como candidato a vice-presidente na chapa.
Gaspar ganhou projeção nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A equipe do senador pretende associar sua atuação na comissão à defesa dos aposentados e ao combate a fraudes contra beneficiários.
A investigação sobre descontos não autorizados em aposentadorias e pensões revelou suspeitas envolvendo um esquema que teria movimentado bilhões de reais entre 2019 e 2024. O tema se tornou uma das principais pautas exploradas pela oposição contra o governo federal.
Ao anunciar Gaspar como vice, Flávio Bolsonaro afirmou que o deputado teve atuação de destaque na defesa dos aposentados durante a CPMI do INSS.
A escolha do vice também ocorre em meio à tentativa da campanha do PL de ampliar sua inserção em segmentos onde enfrenta maiores dificuldades. Antes da definição, aliados de Flávio avaliavam a possibilidade de escolher uma mulher para compor a chapa, especialmente para melhorar o desempenho entre o eleitorado feminino.
Apesar disso, a campanha optou por um nome ligado ao debate sobre aposentadorias e combate a fraudes, apostando que o tema pode aproximar o senador de um público considerado estratégico.
A disputa pelo voto dos idosos deve permanecer como uma das principais frentes da eleição presidencial. Com quase um quarto do eleitorado brasileiro concentrado nessa faixa etária, a capacidade das campanhas de dialogar com esse grupo poderá influenciar diretamente o resultado de uma corrida marcada pela busca por cada voto.