
O PSDB abriu uma nova frente de confronto com o Palácio do Planalto após o pronunciamento em cadeia nacional feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo. Para os tucanos, Lula transformou o anúncio da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda em um verdadeiro programa eleitoral antecipado, usando a estrutura do Estado como palanque político e rompendo o limite entre comunicação oficial e propaganda pessoal.
A partir dessa avaliação, a sigla confirmou que ingressará com uma ação na Justiça pedindo punição ao governo por desvio de finalidade e solicitando que os cofres públicos sejam ressarcidos pelos custos da transmissão. Segundo o partido, Lula falou como candidato e não como chefe de Estado, rompendo a isonomia entre os atores políticos e dando start, de forma irregular, ao jogo eleitoral de 2026.
Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, afirmou que a cadeia nacional se transformou em um ato de campanha mascarado. Para ele, o discurso exibido no rádio e na televisão ultrapassou qualquer justificativa institucional e serviu apenas para impulsionar a imagem pessoal do presidente às vésperas do ano eleitoral. Aécio classificou a fala de Lula como um exemplo de como o PT usa o poder público para fins politiqueiros e argumentou que defender a democracia exige responsabilidade, algo que, em sua visão, o governo não demonstrou.
No pronunciamento de aproximadamente seis minutos, Lula celebrou a sanção da lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais a partir de janeiro de 2026, promessa central de sua última campanha. Ele também afirmou que a mudança representava um avanço contra privilégios da chamada elite financeira e um marco na promoção da justiça tributária para milhões de brasileiros. Para o Planalto, trata-se de uma correção histórica após mais de um século do IR.
A nova legislação ainda prevê isenção parcial para contribuintes que recebem até sete mil trezentos e cinquenta reais por mês. Para compensar a redução da arrecadação, o governo aumentará a tributação sobre altas rendas e criará uma alíquota de até dez por cento para pessoas que ganham mais de seiscentos mil reais por ano. A medida passa a valer em 2026 e deve impactar as declarações de 2027. A equipe econômica estima que dezesseis milhões de brasileiros serão beneficiados, número significativamente maior que o dos contribuintes atualmente isentos, que hoje abrange apenas quem recebe até três mil e trinta e seis reais.
Enquanto o governo comemora o que chama de justiça tributária, o PSDB sustenta que Lula usou a pauta com finalidade eleitoral, desrespeitando regras e distorcendo o real propósito de uma cadeia nacional. O partido promete levar a disputa até as últimas instâncias, transformando o caso em mais um capítulo da batalha que deve marcar o cenário político até as eleições de 2026.