Alcolumbre já conta 50 votos contra Messias no STF

Frente contrária ao indicado de Lula ganha força no Senado; aliados do presidente do Senado falam em votação rejeitadora e sabatina prevista pode ser adiada

Alcolumbre já conta 50 votos contra Messias no STF

O clima no Senado Federal se tornou hostil à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dizem contar hoje cerca de 50 votos contrários à nomeação, número que supera folgadamente o mínimo necessário para barrar a indicação.

A avaliação dos senadores alinhados a Alcolumbre é que a nomeação, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi conduzida sem o devido diálogo institucional. Segundo esses parlamentares, a indicação agravou um ambiente já tensionado entre o Planalto e o Congresso e transformou a sabatina em um processo de risco político para o governo.

Para ser aprovada, a indicação precisa de pelo menos 41 dos 81 votos do Senado. O levantamento interno dos aliados do presidente do Senado aponta a existência de uma bancada sólida de resistência, formada por parlamentares de diferentes partidos que reclamam da falta de diálogo prévio e que vêm cobrando garantias sobre a independência do indicado.

A expectativa é de que a mensagem presidencial que oficializa a escolha ainda não foi enviada, o que coloca em risco a realização da sabatina marcada para 10 de dezembro. Técnicos legislativos reforçam que, sem a mensagem, a agenda pode ser empurrada para janeiro, ampliando a janela de articulação e a pressão política.

A oposição já anunciou que trabalhará contra a aprovação. Entre as razões citadas estão o alinhamento político de Messias, a proximidade de aliados do governo com o indicado e o receio de que a sabatina se transforme em uma batalha partidária em ano eleitoral. No grupo de senadores críticos também pesam episódios recentes, como a investigação envolvendo o banco Master e supostos laços de influência em fundos de previdência, que realçam a sensibilidade do plenário a temas de governança.

Do outro lado, a AGU e integrantes do governo têm tentado acalmar os ânimos. Messias publicou nota afirmando seu respeito ao Senado e à Constituição e manifestou disponibilidade para esclarecer quaisquer dúvidas individualmente com os senadores. Ainda assim, interlocutores no Congresso avaliam que as manifestações públicas de apoio serão insuficientes para reverter a contagem de votos no curto prazo.

A pressão de Alcolumbre não se limita às palavras. Fontes parlamentares descrevem que o presidente do Senado já começou a destravar pautas que incomodam o Planalto e a dar prioridade a projetos com impacto orçamentário, numa demonstração de força política. Há ainda quem avalie que o caso do Master e os desdobramentos sobre fundos de pensão levaram Alcolumbre a adotar uma postura mais combativa.

No Planalto, a leitura é de que a resistência de Alcolumbre decorre tanto de divergências políticas locais quanto de uma estratégia para obter vantagens em pautas de interesse do Senado. Ainda assim, ministros acreditam que a solução pode passar por negociações diretas entre o presidente da República e o presidente do Senado.

Com o calendário apertado, o desfecho depende agora da capacidade do governo de costurar apoios e da disposição dos senadores em manter a indicação na pauta. Se a contagem de votos contrários se consolidar, Messias pode enfrentar a rejeição histórica no Senado, um resultado que marcaria derrota política significativa para o Planalto às vésperas do ano eleitoral.