
O encontro entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro em São Paulo, no fim de novembro de 2025, não teria sido a única conversa presencial entre o senador e o então dono do Banco Master. Segundo informações reveladas em reportagens sobre o caso, os dois também estiveram juntos em Brasília, ainda no primeiro semestre do ano passado, em uma mansão alugada pelo banqueiro na capital federal.
A nova informação amplia o alcance das explicações já dadas por Flávio a respeito da relação com Vorcaro. O senador admitiu ter ido à casa do empresário em São Paulo para, segundo sua versão, encerrar as negociações em torno do financiamento de R$ 134 milhões para o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, o relato de outro encontro, desta vez em Brasília, mostra que a interlocução entre os dois teria sido mais frequente do que inicialmente se sabia.
De acordo com a apuração, a reunião na capital federal teria ocorrido a dois, em um ambiente reservado e fora da agenda pública. A mansão alugada por Vorcaro em Brasília se tornou um ponto de circulação de personagens influentes da política, do Judiciário e do mercado financeiro, em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master.
O imóvel também teria recebido o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável por decisões centrais em processos que atingiram diretamente Jair Bolsonaro e aliados do ex-presidente. A presença de figuras tão distintas no mesmo endereço reforça o peso político da rede de relações construída em torno de Vorcaro antes do agravamento público do escândalo envolvendo o banco.
As conversas entre Flávio e Vorcaro vieram à tona após a divulgação de mensagens e áudios relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”. O projeto, apresentado como uma produção internacional sobre a trajetória de Bolsonaro, passou a ser alvo de questionamentos depois que surgiram registros de cobranças e tratativas financeiras envolvendo o senador e o banqueiro.
Flávio nega irregularidades. Em manifestações públicas, o senador afirma que buscou patrocínio privado para um filme privado, sem uso de dinheiro público e sem oferta de vantagens em troca. Ele também sustenta que conheceu Vorcaro em um período anterior às suspeitas públicas contra o empresário e que não participou de qualquer negociação ligada ao governo.
O caso, porém, coloca novamente sob pressão a relação entre projetos políticos, interesses privados e grandes estruturas financeiras. Em um país cansado da disputa permanente entre lulismo e bolsonarismo, revelações desse tipo alimentam a cobrança por transparência, responsabilidade pública e distância entre campanhas, negócios milionários e personagens investigados.