Aliado de Flávio que criticou o voto feminino, Paulo Figueiredo deve R$ 5 milhões à União

O influenciador e comentarista político Paulo Figueiredo, um dos aliados mais próximos da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acumula uma dívida de aproximadamente R$ 5 milhões com a União, segundo registros da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A informação surge poucos dias após o blogueiro ampliar a crise envolvendo a campanha presidencial do senador ao afirmar que “mulher vota mal”, declaração que provocou forte repercussão política.
De acordo com os registros da PGFN, os débitos tributários foram inscritos na Dívida Ativa da União, etapa que ocorre após o encerramento da fase administrativa de contestação. A inscrição permite que a União adote medidas para a cobrança judicial dos valores.
Procurado para comentar o caso, Paulo Figueiredo negou qualquer irregularidade. Segundo ele, a cobrança decorre de uma autuação realizada durante uma investigação da Operação Lava Jato em 2020, a qual considera indevida. O blogueiro também afirmou que atualmente reside nos Estados Unidos e não possui mais residência fiscal no Brasil.
Além da questão tributária, Paulo Figueiredo responde a um processo no Supremo Tribunal Federal relacionado às investigações sobre a tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. Conforme denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, ele teria utilizado sua influência em programas de rádio, televisão e redes sociais para estimular ataques a integrantes das Forças Armadas e fortalecer discursos favoráveis aos atos investigados. Como reside no exterior, o STF enfrenta dificuldades para realizar sua citação formal no processo.
O episódio ganhou novos desdobramentos após as declarações do influenciador sobre o eleitorado feminino. A fala gerou desgaste adicional para a campanha de Flávio Bolsonaro, que já enfrentava turbulências internas após os atritos públicos envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Dias depois da repercussão negativa, Flávio Bolsonaro repudiou publicamente as declarações do aliado durante um encontro com mulheres conservadoras. Apesar disso, Paulo Figueiredo voltou a criticar o senador, afirmando que possui posições políticas “mais à direita” e classificando como “vitimismo” a reação do pré-candidato às críticas recebidas.
O episódio evidencia novas divergências dentro do campo bolsonarista em meio ao início da corrida eleitoral, ampliando o debate sobre a condução da comunicação da campanha e o impacto das manifestações públicas de aliados próximos.