
A definição da candidatura a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ganhar novos contornos nos bastidores da pré-campanha presidencial. Após os recentes desentendimentos envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, aliados do parlamentar passaram a considerar praticamente consensual a escolha de uma mulher para ocupar a vaga de vice.
A estratégia busca fortalecer o diálogo com o eleitorado feminino e ampliar o alcance da chapa antes das convenções partidárias. Apesar da convergência em torno do gênero da futura vice, ainda não há consenso sobre qual perfil deverá ser escolhido.
Nos bastidores do Partido Liberal, diferentes grupos defendem alternativas distintas. Uma ala considera importante que a vice tenha forte identificação com a base conservadora do partido. Entre os nomes frequentemente mencionados estão as deputadas federais Bia Kicis e Júlia Zanatta.
Outro grupo avalia que um perfil mais técnico e moderado poderia contribuir para ampliar o diálogo com setores além do eleitorado tradicional da legenda. Nesse contexto, também aparecem entre os cotados nomes como o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques e da senadora Tereza Cristina, embora ambos enfrentem obstáculos políticos e partidários.
O movimento ocorre após a crise envolvendo Michelle Bolsonaro, que deixou o comando do PL Mulher e protagonizou divergências públicas com Flávio Bolsonaro. O episódio aumentou a atenção da coordenação da campanha para a construção de uma estratégia voltada ao eleitorado feminino.
Segundo interlocutores da pré-campanha, a escolha da vice deverá considerar fatores como capacidade de diálogo, desempenho em pesquisas qualitativas, potencial de ampliar alianças e articulação política junto a outras legendas.
As negociações também envolvem partidos aliados. Eventuais indicações de nomes filiados ao PP ou ao Republicanos dependeriam de acordos entre as direções nacionais das siglas e da definição das alianças estaduais que ainda estão em discussão.
Aliados afirmam que a decisão dificilmente será antecipada. A tendência é que a escolha seja anunciada apenas próximo às convenções partidárias, previstas para o fim de julho, evitando desgastes internos e preservando o espaço para negociações políticas.
Enquanto isso, outras pré-candidaturas já avançaram na composição de suas chapas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém o vice-presidente Geraldo Alckmin como companheiro de chapa, enquanto outras legendas também iniciaram a oficialização de seus candidatos à vice-presidência.