Após Lula criticar Neymar, Zema rebate atacando Janja

A fala de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Neymar abriu uma nova frente de desgaste político em meio à participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Após o presidente ironizar a convocação do camisa 10 e chamá-lo de “jogador home office”, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) reagiu nas redes sociais e direcionou a crítica à primeira-dama Janja da Silva.
Em vídeo publicado na sexta-feira, 19, Zema questionou a postura do presidente diante de um dos principais ídolos recentes do futebol brasileiro. Na avaliação do ex-governador, Lula escolheu atacar um atleta que levou o nome do Brasil ao mundo em vez de preservar um símbolo nacional em plena disputa de Copa.
Na sequência, Zema usou a própria expressão adotada por Lula para ironizar a atuação de Janja no governo. “Quem dera, pessoal, se a Janja fosse a primeira-dama a ser home office do mundo. Seria uma beleza para o Brasil. Muita economia e mais dinheiro para o que o povo precisa”, afirmou.
A declaração do ex-governador veio depois de Lula brincar com a situação física de Neymar durante uma agenda em Belo Horizonte, onde participou do anúncio de investimentos na área de oncologia do SUS. Ao conversar com uma criança presente no evento, o presidente perguntou quem seria o melhor jogador da Seleção. Ao ouvir o nome de Neymar, respondeu que o atleta “não está nem jogando” e repetiu uma piada vista na internet, dizendo que o jogador seria o primeiro convocado em regime de home office.
Neymar se recupera de uma lesão na panturrilha e desfalcou o Brasil nas primeiras partidas da Copa. O atacante permaneceu em tratamento enquanto a comissão técnica avalia sua condição para voltar a ficar à disposição da Seleção. A situação física do jogador virou tema de debate nas redes sociais e acabou entrando no discurso político nacional.
A reação não ficou restrita a Zema. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também saiu em defesa de Neymar e afirmou que Lula fez um “gol contra” ao criticar o jogador. O senador apareceu em ato político usando uma camisa da Seleção com o nome do atacante e declarou que o Brasil estaria ao lado do camisa 10.
Nikolas Ferreira (PL-MG) também se manifestou nas redes sociais e acusou Lula de desvalorizar um dos principais nomes do futebol brasileiro. O deputado afirmou que o presidente deveria reconhecer a importância de atletas que projetam o país internacionalmente, especialmente em um momento de Copa do Mundo.
A declaração de Lula reacendeu a mistura entre futebol e política, um terreno que o próprio petismo costuma explorar quando lhe convém. Neymar, apoiador declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), voltou ao centro de uma disputa que ultrapassa o campo esportivo e expõe como até a Seleção Brasileira virou alvo da polarização nacional.
Para Zema, o episódio também serviu para reforçar críticas aos gastos e ao protagonismo político da primeira-dama. Ao mirar Janja, o ex-governador transformou a ironia de Lula contra Neymar em cobrança direta ao Palácio do Planalto, em um momento em que o governo petista enfrenta desgaste por viagens, despesas públicas e dificuldade de apresentar resultados concretos à população.