
A CazéTV informou nesta quinta-feira que vai alterar a forma como divulga plataformas de apostas esportivas durante a cobertura da Copa do Mundo de 2026. A decisão ocorre em meio ao aumento da pressão regulatória e à abertura de apurações sobre o modelo de publicidade adotado por canais digitais no país.
O canal, que se consolidou como uma das principais transmissões esportivas do YouTube no Brasil, afirmou em nota que passará a adotar um formato mais tradicional e contido na comunicação de marcas do setor de bets, reduzindo a abordagem mais informal que vinha sendo utilizada em suas transmissões ao vivo.
A mudança acontece após a Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, instaurar uma apuração preliminar para avaliar possíveis excessos na publicidade de apostas durante eventos esportivos. O procedimento levou em conta trechos de transmissões e interações consideradas sensíveis do ponto de vista regulatório.
Entre os pontos citados na análise do órgão estão chamadas promocionais associadas ao desempenho das partidas, menções a bônus e odds ampliadas e o uso de linguagem que pode associar emoção esportiva à prática de apostas. O governo avalia que esse tipo de comunicação exige atenção especial dentro das regras de proteção ao consumidor e de incentivo ao jogo responsável.
As normas atuais que regulam a publicidade de apostas no Brasil estabelecem exigências como identificação clara de conteúdo publicitário, avisos de restrição etária e alertas sobre riscos de dependência. Também há restrições ao uso de linguagem que sugira ganho fácil, apelos à urgência ou associação direta entre sucesso esportivo e lucro financeiro.
Diante desse cenário, a CazéTV afirmou que pretende ajustar sua linha comercial para um padrão mais convencional de publicidade, preservando o modelo de transmissões gratuitas e a relação direta com o público, mas dentro de parâmetros considerados mais conservadores pelas autoridades.
Em nota, o canal destacou ainda que atua em conformidade com a legislação brasileira e que mantém parcerias apenas com empresas regularizadas, reforçando o compromisso com práticas consideradas responsáveis no mercado de entretenimento esportivo.
A discussão ocorre em um momento de forte expansão das apostas esportivas no país e de intensificação do debate sobre os limites da publicidade nesse setor, especialmente em transmissões com grande alcance e audiência jovem.