Após sentir falta de ar, Governadora do DF faz cirurgia no tórax e vai parar na UTI

Transmissão de Cargo do Governador à Vice-governadora do Distrito Federal Foto: Felipe Ando/Agência CLDF
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva após passar por um procedimento cirúrgico para colocação de um dreno no tórax. A intervenção ocorreu na noite de sábado, 30 de maio, depois que a chefe do Executivo local procurou atendimento médico com dores no peito e falta de ar.
Celina Leão (PP) foi diagnosticada com pneumotórax, condição caracterizada pelo acúmulo de ar entre o pulmão e a parede torácica. O procedimento, chamado drenagem pleural, durou cerca de 30 minutos e, segundo informações divulgadas por sua assessoria e pelo hospital, transcorreu sem intercorrências.
Após a cirurgia, a governadora foi encaminhada para a UTI para observação. A previsão inicial era de permanência por até 48 horas, com acompanhamento médico até esta segunda-feira, 1º de junho. Segundo boletim médico divulgado pelo Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília, Celina permaneceu consciente, orientada e com evolução considerada satisfatória.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a governadora relatou que decidiu procurar atendimento após sentir falta de ar e dor na região do pulmão. Ela explicou que os exames indicaram o quadro de pneumotórax e afirmou que estava bem, apesar da necessidade de drenagem. A condição pode causar dor torácica e dificuldade respiratória, exigindo intervenção médica quando há acúmulo de ar na cavidade pleural.
A internação ocorre em um momento político sensível no Distrito Federal. Celina assumiu o comando do governo após a renúncia de Ibaneis Rocha, que deixou o cargo para disputar uma vaga ao Senado nas eleições deste ano. Desde então, a governadora passou a conduzir a administração local em meio a desafios políticos e administrativos relevantes.
Entre os principais temas sob responsabilidade de Celina está a crise envolvendo o BRB, Banco de Brasília, que enfrenta desgaste por sua ligação com o caso do Banco Master. O episódio colocou pressão sobre o governo do Distrito Federal e exigiu da nova governadora uma tentativa de reorganização política e institucional em meio ao ambiente de investigação e instabilidade.
A relação entre Celina e Ibaneis também passou por turbulências após a troca de comando. Inicialmente, a expectativa era de que ela disputasse a reeleição com apoio do ex-governador. No entanto, desde que assumiu o governo, os dois romperam politicamente, tornando incerto o desenho da chapa e das alianças locais para 2026.
Em entrevista anterior à Folha de S.Paulo, Celina afirmou que Ibaneis esperava continuar influenciando o governo por meio dela. A governadora também acusou o antecessor de misoginia, embora tenha dito que nunca cogitou deixá-lo fora de sua chapa. A crise tornou o cenário eleitoral do Distrito Federal ainda mais complexo.
Apesar do quadro de saúde, a governadora seguiu acompanhada por sua equipe e, segundo informações divulgadas pelo UOL, chegou a despachar do quarto da UTI. A assessoria informou que a recuperação tinha previsão de 48 horas e que o procedimento foi realizado com sedação leve e anestesia local.
A internação de uma chefe de Executivo sempre provoca impacto político imediato, sobretudo em um ano eleitoral e em uma unidade da Federação marcada por disputas internas. No caso de Celina, o episódio ocorre enquanto ela tenta consolidar sua liderança no governo, administrar a crise do BRB e reorganizar sua base após o rompimento com Ibaneis.
A expectativa é de que a governadora retome gradualmente suas atividades presenciais após liberação médica. Até lá, o governo do Distrito Federal afirma que acompanha a evolução do quadro e mantém a rotina administrativa sob orientação da equipe da governadora.