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Política

Augusto Cury confirma candidatura com críticas a Lula e Flávio

Por Brasil no Centro Publicado em 3 de agosto de 2026 às 15:06 4 min de leitura
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Augusto Cury confirma candidatura com críticas a Lula e Flávio

O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury confirmou sua candidatura à Presidência da República pelo Avante e afirmou que pretende disputar a eleição de 2026 com uma proposta de romper a polarização entre os principais grupos políticos do país.

Durante entrevista após a definição de sua candidatura, Cury afirmou que o Brasil vive um ambiente de confronto permanente entre o campo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o grupo associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado atualmente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o pré-candidato, os dois principais polos da disputa presidencial estariam concentrados em projetos pessoais e não em uma visão ampla de país.

“Eles estão tomados pelo ego, nitidamente. O Brasil não pode ser loteado em duas famílias”, afirmou Cury.

O escritor, que nunca ocupou cargo eletivo, disse que decidiu entrar na política por considerar necessário apresentar uma alternativa ao cenário atual. Segundo ele, sua candidatura não tem como objetivo construir uma carreira política, mas defender uma mudança na forma de condução do Estado.

“Eu entrei porque tenho direito de entrar na política. Porque eu pago mais impostos que eles. Porque eu não sou apenas escritor, eu também sou produtor rural. É meu direito me colocar como pré-candidato, como qualquer cidadão”, declarou.

Na pesquisa Datafolha divulgada em julho, Augusto Cury apareceu com 2% das intenções de voto no primeiro turno, empatado numericamente com outros nomes que também buscam ocupar espaço fora da polarização tradicional.

Ao comentar seus possíveis adversários, Cury evitou ataques pessoais, mas afirmou que não acredita em uma pacificação política do país caso o confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro continue dominando o debate eleitoral.

“O Brasil adoeceu coletivamente”, afirmou, defendendo uma agenda baseada no diálogo e na redução dos conflitos políticos.

Sobre Lula, Cury reconheceu avanços em programas sociais dos governos petistas, citando o Bolsa Família como uma política relevante no combate à pobreza. Ao mesmo tempo, afirmou que o país precisa de um projeto de Estado, e não apenas de governos vinculados a partidos.

Questionado sobre Flávio Bolsonaro e investigações envolvendo o senador, Cury afirmou que os fatos devem ser esclarecidos pela Justiça e evitou antecipar julgamentos.

“A Justiça tem que ser feita de todas as maneiras”, disse.

Entre suas principais propostas, o candidato defendeu mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo o fim da vitaliciedade dos ministros e a adoção de mandatos de oito anos para integrantes da Corte.

Cury também criticou a exposição dos julgamentos transmitidos pela TV Justiça e afirmou que o modelo atual contribui para uma maior politização dos debates envolvendo o Supremo.

O pré-candidato afirmou que conversou com diferentes lideranças políticas antes de ingressar na disputa presidencial, incluindo o ex-presidente Michel Temer (MDB), o presidente do PSD Gilberto Kassab (PSD), o governador Eduardo Leite (PSD), o presidente do Republicanos Marcos Pereira (Republicanos) e o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB).

Segundo Cury, as conversas ajudaram a compreender os desafios do ambiente político brasileiro, que classificou como “tóxico”. Ele afirmou, porém, que pretende apresentar uma postura diferente da lógica tradicional de confronto.

A candidatura pelo Avante foi construída após conversas com o presidente nacional da legenda, Luís Tibé, que, segundo Cury, ofereceu liberdade para a construção de uma proposta voltada à pacificação política.

Além da reforma do Judiciário, o candidato defende mudanças na gestão pública e afirma que sua prioridade seria atuar como um “gestor da nação”, com foco em reformas estruturais.

Cury também comentou sua relação com o Grupo Fictor, empresa que tentou adquirir o Banco Master e da qual ele afirma ser credor. O escritor disse que não participou diretamente de investimentos no banco e afirmou que tomou distância do negócio quando soube da operação.

Segundo ele, a situação gerou prejuízo financeiro e desgaste, mas afirmou que sua empresa atua no setor do agronegócio e que ele se considera vítima do episódio.