Autonomia do Banco Central foi fundamental para intervenção no Banco Master, afirma senador Plínio Valério

Senador afirma que independência do BC blindou o sistema financeiro, barrou uma venda suspeita ao BRB e expôs relações delicadas entre o banco liquidado e o Judiciário

Autonomia do Banco Central foi fundamental para intervenção no Banco Master, afirma senador Plínio Valério

A crise que levou à liquidação do Banco Master ganhou um novo capítulo político. Em um discurso firme no Senado, Plínio Valério afirmou que a autonomia do Banco Central foi a peça-chave que permitiu à instituição intervir sem pressões externas, evitando o que classificou como um risco grave ao sistema financeiro. O senador ressaltou que essa independência só se tornou realidade graças ao Congresso Nacional, que aprovou em 2021 o projeto de lei de sua autoria que deu autonomia formal ao BC.

Segundo Plínio, o alerta máximo surgiu quando o Banco Master tentou vender o controle para o Banco de Brasília BRB, uma operação que, na avaliação dele, teria profundos impactos para o setor bancário e para o uso de recursos públicos. O senador lembrou que o Banco Central foi quem impediu a negociação, e atribuiu esse freio direto ao fato de a instituição não depender mais de decisões políticas para agir.

Para o parlamentar, esse episódio mostra o valor da atuação do Legislativo no fortalecimento das instituições. Ele reforçou que o debate sobre a autonomia do BC muitas vezes é distorcido, e que parte da população não reconhece o papel essencial da Câmara e do Senado nas decisões que sustentam a economia nacional. Plínio destacou que o Legislativo não apenas trabalha, como produz marcos fundamentais que garantem estabilidade e segurança ao país.

Durante o pronunciamento, o senador também voltou suas críticas ao Poder Judiciário. Ele mencionou que o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, participou de eventos no exterior ao lado de ministros do Supremo Tribunal Federal em pelo menos três ocasiões. Citou ainda que Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF e atual ministro da Justiça, prestou consultoria ao banco antes de sua liquidação. Plínio classificou essa proximidade como uma ameaça à confiança democrática e afirmou que tais relações precisam ser expostas e discutidas com transparência.

O senador encerrou reforçando que a autonomia do Banco Central não apenas funcionou na prática, como se mostrou decisiva para impedir que problemas internos de uma instituição privada se transformassem em prejuízo público. Para ele, o episódio é uma prova concreta de que o Legislativo tem papel indispensável na construção de um país mais estável e mais protegido de interferências políticas ou econômicas.