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Bolsonaristas denunciam oferta de R$ 100 por perfil para atacar aliados do próprio PL nas redes

Relatos divulgados pela Folha apontam suposta articulação para financiar ataques virtuais contra grupos rivais do partido, em meio a disputas envolvendo Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira

Por Brasil no Centro Publicado em 3 de novembro de 2026 às 12:24 6 min de leitura
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Bolsonaristas denunciam oferta de R$ 100 por perfil para atacar aliados do próprio PL nas redes

A disputa entre diferentes grupos do bolsonarismo ganhou um novo capítulo após a revelação de relatos sobre supostas ofertas de pagamento para promover ataques contra integrantes do próprio Partido Liberal (PL). Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (3), influenciadores e apoiadores da direita afirmam ter recebido propostas de R$ 100 por perfil para atacar, bloquear e reduzir a visibilidade de adversários internos nas redes sociais.

As acusações surgiram durante transmissões ao vivo e conversas realizadas na plataforma X, antigo Twitter, e envolvem apoiadores ligados a diferentes setores do partido. O material examinado pela reportagem menciona a existência de uma lista com aproximadamente 50 perfis que teriam sido selecionados como alvos de uma campanha coordenada de ataques virtuais.

Uma das principais discussões ocorreu em 25 de agosto, durante uma transmissão do Space Arena, fórum digital organizado pelo apoiador bolsonarista Rafael Cavalcanti. O espaço reunia periodicamente usuários identificados com a direita para debater assuntos relacionados à pré-campanha eleitoral e às disputas políticas.

A transmissão contou com a participação de 58 pessoas, considerando os usuários que entraram e saíram da conversa ao longo do encontro. Durante o debate, participantes questionaram a existência de pagamentos para promover ações contra perfis vinculados a grupos rivais dentro do PL.

Um dos usuários confirmou ter recebido uma lista de nomes acompanhada de uma proposta financeira para participar dos ataques. Segundo seu relato, o pagamento oferecido seria de R$ 100 por pessoa atingida. Ele afirmou, entretanto, que não aceitou a proposta.

As orientações mencionadas nas conversas incluíam o bloqueio de contas, a interrupção da interação com determinados usuários e a utilização de robôs para ampliar campanhas de hostilidade contra os alvos escolhidos.

O objetivo, de acordo com os participantes ouvidos na transmissão, seria enfraquecer setores adversários dentro do próprio campo bolsonarista, reduzindo sua influência nas discussões políticas e nas mobilizações digitais.

A Folha analisou as publicações e confirmou que os perfis envolvidos nos relatos pertencem a usuários reais, com atividade registrada na plataforma desde pelo menos 2021. A verificação da existência dessas contas, entretanto, não comprova que os pagamentos tenham sido realizados ou que dirigentes partidários tenham autorizado as ações denunciadas. Folha de S.Paulo+1

Durante a mesma conversa, um dos participantes reconheceu ter recebido dinheiro para atuar em campanhas de pré-candidatos do PL fora das redes sociais. Ele afirmou que participava de atividades políticas remuneradas, mas evitou identificar os candidatos beneficiados.

O relato não esclarece se os recursos mencionados tinham relação com as supostas ofertas destinadas a atacar adversários internos. Também não foram apresentados comprovantes financeiros que permitissem estabelecer a origem do dinheiro ou identificar os responsáveis pelos pagamentos.

As denúncias ganharam maior repercussão porque parte das acusações envolve o entorno político de Eduardo Bolsonaro (PL), citado por um dos participantes como possível responsável por orientações destinadas a atingir apoiadores do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Segundo os relatos publicados pela Folha, as supostas instruções teriam sido transmitidas durante um período de divergências públicas entre os dois grupos, especialmente sobre o envolvimento de Nikolas na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

Eduardo Bolsonaro havia criticado o deputado mineiro por considerar insuficiente sua participação na divulgação da candidatura do irmão. O conflito ganhou espaço nas redes sociais e provocou manifestações de apoiadores dos dois parlamentares.

Um levantamento realizado anteriormente pela Folha mostrou que Nikolas mencionou Flávio Bolsonaro em apenas dez das 544 publicações feitas no X durante aproximadamente quatro meses da pré-campanha presidencial.

O número foi utilizado por integrantes do grupo ligado a Eduardo para questionar o empenho do deputado mineiro na campanha. Aliados de Nikolas, por outro lado, afirmavam que sua atuação digital estava concentrada em críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na mobilização de eleitores identificados com pautas conservadoras.

As divergências expuseram diferentes estratégias dentro do bolsonarismo. Enquanto um grupo defendia que as principais lideranças digitais deveriam concentrar esforços na promoção da candidatura de Flávio, outros consideravam que o enfrentamento político ao governo federal também contribuía para a mobilização da oposição.

Foi nesse ambiente que surgiram as acusações sobre a existência de listas de perfis que deveriam ser atacados ou silenciados nas redes sociais.

Em outra publicação identificada pela Folha, um apoiador afirmou estar entre os nomes que supostamente integravam a lista de alvos. Ele questionou publicamente o PL e a campanha de Flávio Bolsonaro sobre a possibilidade de recursos estarem sendo utilizados para financiar ataques contra integrantes do próprio campo político.

A reportagem também identificou que as divergências entre bolsonaristas haviam chamado a atenção de aliados do PT, que monitoravam as redes sociais em busca de possíveis campanhas direcionadas contra políticos de esquerda.

Foi durante esse acompanhamento que os relatos sobre o conflito interno passaram a ser observados por integrantes do campo governista.

A exposição das acusações ocorreu depois das eleições presidenciais de outubro, quando Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula no segundo turno. O resultado intensificou as discussões entre diferentes lideranças conservadoras sobre os rumos do partido e as estratégias de reorganização da oposição.

Apesar da repercussão dos relatos, ainda não existe comprovação pública de que recursos partidários tenham financiado ataques virtuais contra integrantes do PL. As informações divulgadas se baseiam nas declarações dos participantes das transmissões e nas mensagens analisadas pela Folha.

Procurado pelo jornal, Eduardo Bolsonaro negou, por intermédio de seu aliado Paulo Figueiredo, ter conhecimento do episódio. A reportagem também buscou contato por meio de um número pessoal atribuído ao ex-deputado.

A direção nacional do PL e a campanha de Flávio Bolsonaro foram procuradas por WhatsApp e e-mail, mas não apresentaram resposta até a publicação da reportagem. O organizador do Space Arena, Rafael Cavalcanti, também não foi localizado para comentar as acusações.

A existência de perfis ativos e de registros públicos das conversas permite confirmar que as denúncias foram feitas, mas não estabelece, por si só, a autoria das supostas operações nem demonstra a realização dos pagamentos mencionados.

As declarações divulgadas pela Folha acrescentam um novo elemento às disputas internas do PL, que se prepara para iniciar a próxima legislatura com a maior bancada da Câmara dos Deputados e a maior representação partidária no Senado.

Até o momento, não há confirmação de investigação formal sobre as supostas ofertas de dinheiro ou de manifestação oficial da legenda esclarecendo as acusações apresentadas por seus próprios apoiadores.