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Bolsonaro alegou “alucinação” ao tentar romper tornozeleira, diz STF e versão surpreende ate os aliados

Por Brasil no Centro Publicado em 24 de novembro de 2025 às 16:12 3 min de leitura
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Bolsonaro alegou “alucinação” ao tentar romper tornozeleira, diz STF e versão surpreende ate os aliados

Jair Bolsonaro (PL) afirmou ao Supremo Tribunal Federal que sofreu uma “alucinação” e uma “certa paranoia” quando tentou romper sua tornozeleira eletrônica entre a noite de sexta e a madrugada de sábado. A justificativa, apresentada na audiência de custódia que manteve sua prisão preventiva, surpreendeu até aliados próximos e abriu novo capítulo na crise que atinge o ex-presidente.

Segundo Bolsonaro, a confusão mental teria sido provocada pela combinação inadequada de dois medicamentos — Pregabalina e Sertralina — usados para ansiedade e depressão. Ele disse que acreditou haver uma escuta escondida no equipamento e, tomado pela desconfiança, tentou abrir a parte eletrônica da tornozeleira usando um ferro de solda.

A defesa reforçou o mesmo argumento em petição enviada ao STF, anexando um boletim médico assinado por dois especialistas. O documento aponta “possível quadro de alucinações” decorrente da interação medicamentosa, argumento utilizado para pedir a reconsideração da prisão.

Apesar disso, o ministro Alexandre de Moraes manteve a medida, destacando que Bolsonaro admitiu ter tentado violar o equipamento e que o ato, por si só, justificava a custódia.

Na audiência, Bolsonaro relatou que estava sozinho quando tentou manipular a tornozeleira. Afirmou que sua filha, seu irmão e um assessor — que estavam na casa — dormiam no momento dos fatos. A juíza auxiliar Luciana Sorrentino homologou a prisão ao final do procedimento, afirmando que não houve qualquer relato de abuso policial.

O ex-presidente também apresentou contradições. Aos agentes que estiveram em sua casa na madrugada, disse ter iniciado a tentativa no fim da tarde; ao STF, afirmou que começou tarde da noite e parou por volta da meia-noite, quando “caiu na razão”.

A Polícia Federal e Moraes destacaram ainda, como agravante, a vigília convocada por Flávio Bolsonaro em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar. Para o ministro, a mobilização poderia gerar tumulto e criar condições para uma possível fuga — suspeita reforçada pela tentativa de violação da tornozeleira.

Moraes escreveu que o alerta do equipamento e a ação dos apoiadores indicavam “intenção do condenado de garantir êxito em sua fuga”. A alegação de Bolsonaro, porém, é de que nunca tentou abandonar o local e que apenas reagiu à “paranoia momentânea”.

A audiência durou cerca de uma hora e expôs detalhes minuciosos da madrugada que culminou com a prisão preventiva do ex-presidente. Agora, sua defesa tenta reverter a decisão alegando fragilidade emocional, enquanto o STF aponta fatos objetivos que sustentam a custódia.

O caso promete novos desdobramentos — e reacende o debate sobre os limites, tensões e impactos políticos das medidas impostas ao ex-presidente.