Caiado enfrenta dificuldades para formar palanques estaduais

Com falta de apoio em estados-chave, pré-candidato do PSD aposta em prefeitos para alavancar sua candidatura à presidência

Caiado enfrenta dificuldades para formar palanques estaduais

A pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (PSD) enfrenta desafios significativos no que diz respeito à formação de palanques estaduais. Apesar de contar com o apoio do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (PSD), Caiado não tem o respaldo necessário dos candidatos a governador do partido nos quatro maiores colégios eleitorais do país. Juntos, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia representam 48% do eleitorado nacional, e a falta de apoio nessas regiões coloca em risco o projeto político do ex-governador de Goiás.

No Rio de Janeiro, a situação é especialmente delicada. O prefeito Eduardo Paes (PSD) já declarou seu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não pretende apoiar a candidatura de Caiado. O fato de Paes estar aliado ao presidente Lula, junto com o histórico político do Rio ser vinculado à família Bolsonaro, dificulta ainda mais a articulação de um palanque favorável para Caiado. Para superar esse obstáculo, o PSD local planeja trabalhar com a dobradinha Paes-Caiado, aproveitando a estrutura partidária e a liderança de Paes, que é uma figura de peso na política fluminense.

Em São Paulo, embora o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) seja um forte aliado de Flávio Bolsonaro (PL), a estratégia de Caiado busca captar apoio entre os prefeitos do PSD no estado, onde a liderança do partido é expressiva. O apoio de prefeitos e outros representantes regionais do PSD é visto como uma maneira de fortalecer a candidatura presidencial do ex-governador de Goiás.

A situação em Minas Gerais também não é simples. Embora o governador do estado, Mateus Simões (PSD), tenha se comprometido com a reeleição de Romeu Zema (Novo) e com seu apoio a Zema para a presidência, o PSD local ainda estuda formas de viabilizar o apoio a Caiado. A conversa inicial entre os líderes do partido em Minas visa consolidar um entendimento, mas, por enquanto, a prioridade continua sendo o fortalecimento de Zema, que se mantém uma figura-chave no cenário eleitoral mineiro.

Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo do estado, ACM Neto (União Brasil), está inclinado a apoiar Caiado, considerando a amizade de longa data entre os dois e o histórico de colaborações políticas. No entanto, a dúvida permanece sobre o apoio de Neto a Flávio Bolsonaro, já que associar-se à família Bolsonaro pode prejudicar as chances de Neto no estado governado pelo PT nos últimos 20 anos.

Enquanto isso, na região Nordeste, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), mantém uma postura cautelosa. Ela evita se posicionar publicamente em relação a Caiado, já que seu partido, o PSD, tem um ministro da Agricultura (André de Paula) no governo federal. A postura de neutralidade de Lyra reflete a estratégia de sua base política, que ainda não se alinha de forma clara com o projeto presidencial de Caiado.