Carlos Bolsonaro chama líderes de direita de ‘ratos’ e Eduardo endossa críticas

Carlos Bolsonaro chama líderes de direita de ‘ratos’ e Eduardo endossa críticas

No dia seguinte ao anúncio da pré-candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência, sem mencionar Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PL) voltou a criticar duramente governadores da direita.

Em post publicado no X, Carlos classificou alguns líderes como “desumano, sujo, oportunista e canalha”, acusando-os de tentar se apropriar do legado político de Bolsonaro de forma “vergonhosa e patética”. A publicação foi compartilhada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, reforçando a crítica dentro do bolsonarismo.

O clima evidencia a tensão no campo da direita. Enquanto os aliados do ex-presidente enxergam na anistia uma oportunidade de livrar Bolsonaro de processos no STF, governadores que disputam a Presidência parecem priorizar pautas mais amplas, como críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao PT.

Romeu Zema, por exemplo, não mencionou anistia em seu lançamento oficial e se concentrou em temas que considera estratégicos para o eleitorado de direita. Outros governadores, como Ratinho Jr (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), também seguem essa linha, o que irrita setores do bolsonarismo mais radical.

Tarcísio, em evento recente em São Paulo, criticou apenas o PT, sem defender a anistia. A postura foi notada e comentada pelos “bolsonaristas raiz”. Carlos Bolsonaro voltou a reforçar: “Todos vocês se comportam como ratos, sacrificam o povo pelo poder e não são em nada diferentes dos petistas que dizem combater. Limitam-se a gritar ‘Fora PT’.”

Segundo ele, os governadores estariam mais preocupados com suas carreiras pessoais e com interesses do mercado do que com os brasileiros.

Enquanto isso, o bolsonarismo enfrenta desgaste político. A atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos prejudicou a imagem do ex-presidente e de seu grupo. Pesquisa recente aponta que 39% dos brasileiros responsabilizam Jair Bolsonaro e o filho por crises recentes, superando os 35% atribuídos a Lula.

O setor produtivo também manifestou descontentamento: o agronegócio, tradicional aliado, vê suas exportações afetadas, e partidos do centrão demonstraram insatisfação com medidas que podem gerar desemprego.

O cenário revela que o bolsonarismo perdeu capital político em um momento crítico: o ex-presidente está em prisão domiciliar e seu julgamento começa no próximo mês, com tendência de condenação e possível pena significativa.