Chapa Caiado-Kassab não terá apoio do próprio partido nos 4 maiores estados do país

Alianças estaduais do PSD devem levar lideranças da legenda a apoiar diferentes candidatos à Presidência, mesmo após oficialização da chapa nacional formada por Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab.

Chapa Caiado-Kassab não terá apoio do próprio partido nos 4 maiores estados do país

A oficialização da pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (PSD-GO), tendo o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente, não deve garantir apoio uniforme da legenda nos principais colégios eleitorais do país. Em estados estratégicos, dirigentes e lideranças estaduais já sinalizam que seguirão alianças locais, mesmo que isso signifique apoiar adversários da chapa nacional.

A situação evidencia a autonomia dos diretórios estaduais do PSD e reforça uma característica histórica da legenda, que frequentemente constrói alianças distintas conforme o cenário político de cada estado.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, o PSD integra a base do governador Tarcísio de Freitas. Como o chefe do Executivo paulista já declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, a tendência é que a estrutura política estadual acompanhe essa posição durante a campanha.

Ao comentar o tema, Gilberto Kassab afirmou que as decisões regionais fazem parte da dinâmica partidária e negou qualquer crise interna. Segundo ele, o PSD mantém unidade institucional, mesmo diante de diferentes estratégias eleitorais adotadas pelos diretórios estaduais.

Em Minas Gerais, segundo maior eleitorado do país, o cenário também aponta para um palanque dividido. O governador Mateus Simões declarou apoio à pré-candidatura presidencial de Romeu Zema, argumentando que a decisão decorre da parceria construída durante a atual gestão estadual. Apesar disso, integrantes da direção mineira do PSD continuam manifestando apoio formal à chapa liderada por Caiado.

No Rio de Janeiro, a tendência é semelhante. O prefeito Eduardo Paes, principal liderança do PSD no estado e pré-candidato ao governo fluminense, deverá manter seu alinhamento político com a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reproduzindo a aliança construída nas últimas eleições municipais.

Na Bahia, outro importante colégio eleitoral brasileiro, o PSD estadual também caminha em direção diferente da candidatura nacional. O senador Otto Alencar reafirmou que a legenda continuará apoiando a chapa liderada por Lula no estado, acompanhando a aliança já consolidada entre PSD e PT no cenário baiano.

Mesmo diante desse quadro, Kassab afirmou que as diferentes composições estaduais não comprometem o projeto presidencial do partido. Segundo o dirigente, as circunstâncias regionais justificam as decisões locais e refletem a diversidade política existente dentro da legenda.

Com o período das convenções partidárias se aproximando, o PSD busca equilibrar sua candidatura nacional com acordos estaduais já estabelecidos, em um cenário que deve resultar em palanques distintos nos maiores estados do país.