
A composição da chapa governista em São Paulo foi definida após reunião articulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada e consolida o principal palanque do presidente no estado mais populoso do país.
O ex-ministro Fernando Haddad (PT) será o candidato ao Governo de São Paulo, tendo como vice o ex-governador e ex-ministro Márcio França (PSB). Para o Senado, a aliança contará com as candidaturas de Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), que passam a integrar o mesmo campo político na disputa estadual.
A decisão foi fechada após encontros realizados entre Lula, os quatro nomes e dirigentes partidários na quarta-feira (24), em Brasília. O governo considera estratégico fortalecer sua presença em São Paulo, onde se concentra o maior número de eleitores do país e, consequentemente, o impacto direto sobre a disputa presidencial de 2026.
Durante o anúncio, Haddad afirmou que a construção da chapa teve como base a busca por unidade e equilíbrio político. Segundo ele, a prioridade foi garantir coesão entre os partidos aliados em torno de um projeto comum para o estado, com repercussão nacional.
A entrada de Márcio França na vice foi resultado de negociação interna após semanas de discussão sobre o desenho da chapa. França inicialmente era cotado para disputar o Senado ou até o próprio governo estadual, mas acabou abrindo mão da candidatura majoritária para compor a aliança.
Aliados avaliam que sua presença na chapa pode ampliar a penetração eleitoral em regiões onde o PT enfrenta maior dificuldade, como a Baixada Santista, além de agregar experiência administrativa e articulação política.
Nos bastidores, a leitura dentro do grupo governista é de que França também pode desempenhar papel mais ativo no embate direto com o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve disputar a reeleição.
A construção da chapa também passou por diferentes cenários discutidos com participação do próprio presidente Lula, que acompanhou de perto as negociações ao longo das últimas semanas. O objetivo foi evitar fragmentação do campo governista e garantir competitividade em um estado considerado decisivo para o equilíbrio eleitoral nacional.
Simone Tebet, que deixou o Ministério do Planejamento para cumprir prazo de desincompatibilização, e Marina Silva, já afastada de funções executivas, entram na disputa pelo Senado com a missão de ampliar a presença da base governista na representação paulista.
A definição encerra uma das principais negociações políticas da pré-campanha e organiza o palanque de Lula em São Paulo com nomes de forte projeção nacional, reunindo partidos diferentes sob uma mesma aliança eleitoral.