
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que uma empresa da qual o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é sócio recebeu cerca de R$ 3,5 milhões em depósitos em dinheiro vivo feitos por um funcionário da própria companhia ao longo de vários anos.
De acordo com o documento, as movimentações foram realizadas por meio de 265 depósitos fracionados entre julho de 2016 e outubro de 2024. O funcionário citado, Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, atua como despachante em uma das empresas ligadas ao parlamentar desde 2012 e também foi alvo de operação da Polícia Federal que investiga o caso.
Os dados levantados pelo Coaf foram incorporados a uma investigação da Polícia Federal, que aponta suspeitas sobre a origem dos valores e a forma como eles circularam entre contas empresariais e pessoais. Segundo os investigadores, o padrão fracionado dos depósitos em espécie seria um indicativo típico de tentativa de dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
O relatório também registra que, após os depósitos em dinheiro vivo, os valores eram incorporados às contas de empresas vinculadas ao senador e posteriormente transferidos para sua conta pessoal por meio de operações financeiras consideradas regulares no sistema bancário.
Em um dos períodos analisados, entre agosto de 2023 e julho de 2024, cerca de R$ 1,7 milhão teria sido depositado em espécie na conta da empresa. No mesmo intervalo, aproximadamente R$ 1,8 milhão foi transferido da empresa para contas pessoais do senador.
Ao todo, os registros apontam que Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu cerca de R$ 4,1 milhões em repasses provenientes da empresa entre os anos de 2020 e 2024.
Os investigadores afirmam que o conjunto das operações indica movimentações financeiras atípicas, com uso recorrente de depósitos fracionados em espécie, prática frequentemente associada a tentativas de dificultar a fiscalização dos órgãos de controle. A Polícia Federal também apura a possibilidade de que a estrutura empresarial tenha sido utilizada como canal de circulação de recursos de origem ainda sob análise.
O senador foi procurado, mas ainda não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.