Com 4 governadores hoje, PT só é favorito para vencer no Piauí e no Rio Grande do Norte

Partido de Lula governa quatro estados, mas pesquisas indicam dificuldade para repetir o desempenho de 2022 e mostram avanço de adversários em redutos estratégicos como Bahia e Ceará

Com 4 governadores hoje, PT só é favorito para vencer no Piauí e no Rio Grande do Norte

O PT chega ao ciclo eleitoral de 2026 com quatro governos estaduais, mas enfrenta dificuldades para repetir o desempenho alcançado em 2022. A legenda de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comanda hoje Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, mas as pesquisas mais recentes indicam que o partido aparece em posição mais favorável apenas no Piauí e no Rio Grande do Norte.

O quadro contrasta com a força nacional do presidente e mostra os limites do petismo nas disputas estaduais. Mesmo no Nordeste, região historicamente mais favorável à esquerda, o partido terá de enfrentar adversários competitivos, desgaste de gestões locais e disputas que podem escapar do controle do Palácio do Planalto.

No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) é o nome mais bem posicionado da sigla. Levantamento AtlasIntel divulgado em maio mostrou o petista com ampla vantagem na disputa pela reeleição, chegando a 63,4% das intenções de voto em um dos cenários testados, contra 24,7% de Joel Rodrigues (PP). O estado aparece hoje como o território mais seguro para o PT entre as disputas estaduais.

No Rio Grande do Norte, o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT) também aparece à frente. Pesquisa AtlasIntel divulgada no fim de maio mostrou o petista com 37,7% das intenções de voto. Allyson Bezerra (União Brasil) marcou 27,6%, enquanto Álvaro Dias (PL) registrou 27,3%. O resultado coloca o PT na liderança, mas em uma disputa que ainda exige atenção, especialmente diante da competitividade dos nomes de oposição.

A situação é mais delicada na Bahia, maior estado governado pelo partido. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) tenta a reeleição em um estado comandado pelo PT desde 2007, mas aparece atrás de ACM Neto (União Brasil) em levantamentos recentes. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em maio mostrou o ex-prefeito de Salvador com 47,8%, contra 38,7% do atual governador.

O cenário baiano ficou ainda mais sensível após o avanço de investigações envolvendo o senador e ex-governador Jaques Wagner (PT) em apurações relacionadas ao Banco Master. O caso ampliou o desgaste político em um estado considerado central para o projeto nacional do partido.

No Ceará, outro reduto importante do PT, o governador Elmano de Freitas (PT) enfrenta uma disputa apertada contra Ciro Gomes (PSDB). Pesquisa AtlasIntel divulgada em junho apontou empate técnico no primeiro turno, com Ciro numericamente à frente. Em eventual segundo turno, o tucano aparece com vantagem sobre o petista, em um movimento que recoloca o PSDB no centro da disputa estadual.

Além da força eleitoral de Ciro, Elmano também enfrenta desgaste administrativo. Levantamento AtlasIntel mostrou aumento da avaliação negativa do governo cearense e queda na aprovação em relação a pesquisas anteriores. O dado reforça o desafio do PT de sustentar, ao mesmo tempo, a máquina estadual e o discurso de continuidade.

Fora dos quatro estados que governa, o PT encontra obstáculos ainda maiores. No Maranhão, Felipe Camarão (PT), nome lançado com apoio de Lula, aparece distante da liderança em pesquisas estaduais. Levantamento AtlasIntel de maio colocou Eduardo Braide (PSD) em primeiro lugar, com 50,1%, seguido por Orleans Brandão (MDB), com 23,1%, enquanto Camarão marcou 14%.

Em Mato Grosso do Sul, o petista Fábio Trad aparece atrás do governador Eduardo Riedel (PP). No Espírito Santo, Helder Salomão (PT) também surge distante dos nomes mais competitivos. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Fernando Haddad (PT) enfrenta a força do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparece à frente em levantamentos recentes.

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, o PT ainda não consolidou um palanque próprio competitivo para o governo estadual. A tendência nos bastidores é que Lula apoie um aliado de outro partido, como Gabriel Azevedo (MDB), Alexandre Kalil (PDT) ou algum nome do PSB, em vez de lançar um cabeça de chapa petista.

O partido também abriu mão da cabeça de chapa em estados importantes para apoiar aliados considerados mais viáveis eleitoralmente. É o caso do Rio de Janeiro, com Eduardo Paes (PSD), do Amazonas, com Omar Aziz (PSD), da Paraíba, com Lucas Ribeiro (PP), de Sergipe, com Fabio Mitidieri (PSD), e do Amapá, com Clécio Luís (União Brasil).

Na Região Sul, onde o PT enfrenta maior resistência eleitoral, a legenda deve apoiar nomes de partidos aliados de esquerda, como Requião Filho (PDT) no Paraná, Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul e Gelson Merísio (PSB) em Santa Catarina. Nenhum deles, porém, aparece hoje como favorito consolidado nas principais leituras eleitorais.

O retrato nacional mostra que o PT chega a 2026 com força presidencial, mas com dificuldades para transformar a presença de Lula em vantagem automática nas disputas estaduais. A sigla ainda mantém bases importantes, especialmente no Nordeste, mas o mapa dos governos indica um ambiente mais fragmentado, competitivo e menos favorável à hegemonia petista do que em ciclos anteriores.