Com Celina Leão no comando, governo do DF dá calote de R$ 17 milhões na Confederação Brasileira de Vôlei

O Governo do Distrito Federal deixou de honrar pagamentos que somam cerca de R$ 17 milhões destinados à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), em um episódio que envolve contratos firmados para a realização de grandes eventos esportivos na capital federal, incluindo etapas da Liga das Nações de Vôlei.
A principal competição afetada foi a Volleyball Nations League (VNL), realizada no início de junho em Brasília. O GDF era um dos principais patrocinadores do evento e havia firmado, ainda na gestão anterior de Ibaneis Rocha (MDB), um contrato de aproximadamente R$ 11 milhões para viabilizar a competição.
Segundo relatos da organização, a nova gestão do Distrito Federal, sob comando de Celina Leão (PP), comunicou cerca de 15 dias antes do evento que não teria condições de efetuar o pagamento previsto, em meio a um cenário de contenção de despesas e reorganização fiscal.
Apesar da indefinição financeira, a competição foi mantida e ocorreu normalmente, após uma força-tarefa interna da CBV para garantir a execução do evento. No entanto, o valor contratado não foi repassado, o que consolidou o impasse entre as partes.
Além da Liga das Nações, o governo também deixou de quitar aproximadamente R$ 6,5 milhões referentes a uma etapa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, realizada em abril na capital federal. Com isso, a dívida total com a entidade esportiva chega ao patamar de R$ 17 milhões.
Diante da situação, dirigentes da Confederação Brasileira de Vôlei avaliam a possibilidade de não levar mais eventos de grande porte para Brasília, o que pode impactar o calendário esportivo da cidade nos próximos anos.
Nos bastidores, a justificativa do governo é de que houve necessidade de reorganização de despesas diante da situação fiscal do Distrito Federal, com priorização de áreas consideradas essenciais. A administração também afirma que recursos originalmente previstos para eventos foram redirecionados para outras áreas da gestão pública.
Além dos eventos esportivos, o GDF suspendeu negociações de patrocínio com a Campus Party, um dos maiores festivais de tecnologia e inovação do mundo, que estava previsto para ocorrer em junho. Sem garantia de repasse financeiro, a organização decidiu adiar o evento, que deve ser remarcado para os próximos meses, ainda sem data definida.
O governo local também já havia anunciado o cancelamento das comemorações de aniversário de Brasília, que teriam custo estimado em R$ 25 milhões, com a justificativa de redirecionamento de recursos para a área da saúde.
Até o momento, a Confederação Brasileira de Vôlei e a organização da Campus Party não comentaram publicamente os desdobramentos da suspensão dos pagamentos.