
O avanço do Comando Vermelho em regiões do litoral sul do Rio de Janeiro acendeu um alerta entre moradores, comerciantes e autoridades. Em Paraty, um dos principais destinos turísticos do país, a facção já não atua apenas no tráfico de drogas e passou a exercer controle direto sobre praias, trilhas e pontos de acesso em vilas tradicionais da região.
Relatos indicam que áreas como Trindade, Praia do Sono, Calhaus e Pouso da Cajaíba vivem hoje sob regras impostas pelo crime organizado. Em alguns desses locais, trabalhadores do transporte marítimo afirmam ser obrigados a pagar taxas para circular, enquanto moradores relatam intimidação e vigilância constante.
Na Praia do Sono, barqueiros protestaram contra a cobrança imposta pela facção no fim de 2025. A reação foi imediata. Perfis anônimos nas redes sociais atribuídos ao grupo criminoso publicaram mensagens com tom de ameaça, deixando claro que não aceitariam qualquer tentativa de questionar o domínio estabelecido.
O clima de tensão é ainda mais evidente em Trindade, última vila antes da divisa com São Paulo e localizada dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Moradores relatam circulação frequente de homens armados e confrontos com a Polícia Militar nos últimos meses de 2025.
Em novembro, um turista denunciou ter sido ameaçado ao tentar alugar uma casa na vila. Segundo o relato, dois homens afirmaram que o grupo estaria na região para impedir a entrada de milicianos ou facções rivais, como PCC e Terceiro Comando Puro, apresentando o domínio criminoso como uma forma de “proteção”.
O caso foi registrado na Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da 167ª Delegacia de Paraty, e encaminhado ao Juizado Especial Criminal. Até o momento, não há confirmação oficial de investigações amplas sobre a expansão da facção na região.
A presença do crime organizado em áreas turísticas e ambientais protegidas expõe a fragilidade do controle estatal e levanta questionamentos sobre segurança, preservação ambiental e o impacto direto na vida de comunidades tradicionais e no turismo, uma das principais fontes de renda local.