
Deputado do MDB articula espaço estratégico na comissão especial que vai discutir o mérito da proposta
A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 se transformou em mais do que um debate trabalhista no Congresso Nacional. A matéria passou a ocupar lugar central nas articulações políticas que já projetam o cenário eleitoral de 2026. Nesse contexto, o deputado Eunício Oliveira (MDB) se movimenta para assumir protagonismo na tramitação da proposta.
Nos bastidores da Câmara, o parlamentar cearense manifestou a aliados o desejo de ter sido escolhido para relatar a PEC na Comissão de Constituição e Justiça. A função, porém, ficou com o deputado Paulo Azi. A etapa na CCJ se restringe à análise de admissibilidade, sem entrar no mérito do texto.
Diante desse cenário, Eunício passou a concentrar esforços na comissão especial que será instalada para discutir o conteúdo da proposta. É nesse colegiado que o relator poderá propor alterações substanciais, construir consensos e definir os contornos finais de um tema sensível para trabalhadores e, principalmente, para o setor produtivo.
A disputa pela relatoria ocorre em meio a um ambiente de forte pressão política. O debate sobre o fim da escala 6×1 mobiliza centrais sindicais, empresários e diferentes correntes ideológicas. Enquanto setores ligados ao governo defendem mudanças amplas, representantes do comércio e dos serviços alertam para impactos econômicos e riscos de aumento da informalidade.
Eunício, que tem trajetória consolidada no Congresso e influência no MDB, avalia que a relatoria pode ampliar sua visibilidade nacional em um momento estratégico. O Ceará é um estado onde o lulismo mantém força política, mas o ambiente no Parlamento tem sido marcado por resistência a pautas consideradas precipitadas ou desconectadas da realidade fiscal do país.
A definição sobre quem conduzirá a comissão especial deve ocorrer nas próximas semanas. Até lá, a movimentação nos bastidores indica que a PEC da escala 6×1 será palco não apenas de um debate sobre jornada de trabalho, mas também de uma disputa por protagonismo político em um Congresso cada vez mais atento ao equilíbrio entre direitos e sustentabilidade econômica.