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Política

Deputada Ana Carolina Serra sofre violência de gênero de líder de Tarcísio na ALESP

Por Brasil no Centro Publicado em 5 de junho de 2026 às 13:05 4 min de leitura
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Deputada Ana Carolina Serra sofre violência de gênero de líder de Tarcísio na ALESP

O PSDB Nacional, o PSDB Mulher Nacional e a Executiva Estadual do partido em São Paulo divulgaram manifestações de repúdio ao episódio envolvendo a deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB), ocorrido durante reunião da Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Assembleia Legislativa de São Paulo. A parlamentar afirmou ter sido desrespeitada enquanto conduzia os trabalhos do colegiado, em sessão marcada pela tentativa de ouvir o presidente da Sabesp, Carlos Piani, sobre a prestação de serviços da companhia.

A reunião foi realizada na quarta-feira, 3 de junho, e tinha como objetivo obter esclarecimentos sobre reclamações envolvendo o abastecimento de água, falhas operacionais, atendimento à população e os efeitos da privatização da Sabesp. Segundo relatos divulgados pela imprensa regional, a sessão acabou sem quórum mínimo para abertura formal após a saída de parlamentares da base governista, o que impediu a continuidade dos trabalhos no formato previsto.

Mesmo diante do esvaziamento da reunião, Ana Carolina Serra tentou manter a possibilidade de um diálogo informal com Carlos Piani, que havia comparecido à Assembleia. O clima se agravou quando o deputado estadual Gilmaci Santos (Republicanos), líder do governo Tarcísio de Freitas na Alesp, interveio na condução dos trabalhos. A deputada classificou a postura como desrespeitosa e afirmou que o episódio ultrapassou os limites da divergência política.

Em manifestação pública, Ana Carolina disse que o que presenciou foi “a falta de respeito de um homem com uma mulher” e afirmou que esse tipo de conduta não pode ser aceito em nenhuma circunstância, especialmente dentro de uma Casa Legislativa. A parlamentar ressaltou que debates duros fazem parte da democracia, mas que a disputa política não pode servir de justificativa para constrangimento, intimidação ou tentativa de deslegitimar a atuação de uma mulher no exercício do mandato.

Na nota oficial, o PSDB afirmou que a conduta atribuída a Gilmaci Santos afronta não apenas a deputada, mas também o funcionamento institucional da Alesp. O partido sustentou que a violência política de gênero ocorre quando mulheres são desrespeitadas, constrangidas ou desqualificadas no desempenho de funções públicas, especialmente em espaços de poder historicamente ocupados por homens.

A Executiva Estadual do PSDB de São Paulo também afirmou que Ana Carolina Serra atuava dentro de suas prerrogativas regimentais como presidente da comissão. Para a legenda, o episódio evidencia a necessidade de preservar a liturgia do cargo parlamentar, a autonomia das comissões e o respeito entre representantes eleitos, independentemente de posição partidária ou alinhamento com o governo.

O caso ocorre em meio ao aumento da pressão sobre a Sabesp, cuja privatização permanece no centro do debate político paulista. Parlamentares têm cobrado explicações sobre a qualidade dos serviços prestados, a resposta da companhia a falhas de abastecimento e os impactos da nova fase da empresa para os consumidores. A tentativa frustrada de ouvir Carlos Piani reforçou a tensão entre integrantes da base governista, oposição e setores independentes da Assembleia.

Ana Carolina Serra afirmou que a discussão sobre a Sabesp não deve ser transformada em confronto pessoal. Para a deputada, a política precisa preservar o respeito, a civilidade e o equilíbrio institucional, especialmente quando o Parlamento exerce sua função de fiscalizar serviços públicos essenciais. A tucana também defendeu que divergências sobre governo, oposição ou modelo de gestão não podem se sobrepor aos valores democráticos de respeito e igualdade.

A manifestação do PSDB recoloca o tema da violência política de gênero no centro da agenda institucional paulista. O partido afirmou solidariedade à deputada e defendeu que mulheres eleitas tenham garantias plenas para exercer seus mandatos sem intimidação ou tratamento desigual. O episódio também ampliou o debate sobre o papel da Alesp na fiscalização da Sabesp e sobre os limites da atuação da base governista diante de cobranças feitas por comissões parlamentares.