
Criado em 2009 como um dos principais projetos de política pública voltados à juventude em Minas Gerais, o Plug Minas vive hoje um cenário de deterioração estrutural, redução de atividades e incerteza quanto ao seu futuro. Sob o governo Romeu Zema (Novo), o complexo educacional instalado no bairro do Horto, em Belo Horizonte, tornou-se alvo de denúncias recorrentes de abandono e falta de investimento.
O Plug Minas foi inaugurado na gestão de Aécio Neves (PSDB) com investimento inicial de R$ 15 milhões, transformando um antigo espaço da Febem em um centro de formação em artes, tecnologia, empreendedorismo e cultura digital. O projeto chegou a ter capacidade projetada para atender até 8 mil jovens por ano, com parcerias envolvendo Puc Minas, Usiminas, Sebrae, Senac e outras instituições. O modelo era considerado referência nacional em formação técnica integrada para estudantes da rede pública.
Hoje, a realidade é diferente.
Desde 2019, visitas técnicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais registraram problemas estruturais como infiltrações, mofo, goteiras, falhas elétricas, ausência de internet, equipamentos sem manutenção e blocos interditados por risco estrutural. Também foram relatadas superlotação de turmas, falta de professores efetivos e interrupção de políticas de assistência estudantil, como o vale-transporte.
O Centro Interescolar de Cultura, Arte, Linguagens e Tecnologias, o Cicalt, atualmente a principal unidade ativa dentro do Plug Minas, teve forte redução no número de matrículas. Em 2018, o centro registrava mais de 1.200 estudantes. Em 2025, levantamento apresentado na Assembleia indicou apenas 129 alunos distribuídos em dez turmas.
Relatórios recentes também apontaram abandono de equipamentos culturais, incluindo instrumentos musicais e estúdios de gravação inativos. O Ministério Público de Minas Gerais foi acionado para apurar possíveis irregularidades na gestão do espaço.
Outro fator que amplia a preocupação é a inclusão do imóvel do Plug Minas na lista de ativos passíveis de federalização no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag. A medida faz parte da estratégia do governo Zema para reduzir o passivo financeiro com a União. Críticos avaliam que a inclusão do complexo no programa aumenta o risco de descaracterização ou descontinuidade das atividades educacionais no local.
O debate sobre o futuro do Plug Minas ocorre em meio a um cenário de polarização política e críticas à condução da política educacional no estado. Enquanto o governo sustenta que enfrenta restrições fiscais severas, opositores apontam que a falta de manutenção e investimento compromete um patrimônio público estratégico para a formação técnica em artes e tecnologia.
Mais de uma década após ser apresentado como símbolo de inovação em políticas de juventude, o Plug Minas se tornou centro de questionamentos sobre prioridades administrativas e gestão de ativos públicos em Minas Gerais. O desfecho do caso deve influenciar não apenas o destino do espaço físico, mas também o debate sobre o modelo de investimento do Estado em educação, cultura e qualificação profissional.