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Eduardo Bolsonaro será julgado no STF por articular sanções contra o Brasil

Por Brasil no Centro Publicado em 5 de junho de 2026 às 10:28 3 min de leitura
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Eduardo Bolsonaro será julgado no STF por articular sanções contra o Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal definiu para o próximo dia 16 de junho o julgamento da ação penal que tem como réu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O processo apura a suposta prática do crime de coação no curso do processo em razão de iniciativas atribuídas ao ex-parlamentar durante sua permanência nos Estados Unidos.

A data foi estabelecida após o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, concluir a fase de instrução e liberar o processo para julgamento. Caberá aos ministros da Primeira Turma decidir pela condenação ou absolvição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República e tem como foco a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro durante o período em que seu pai respondia a ações judiciais relacionadas à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.

Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ex-deputado teria atuado junto a autoridades e interlocutores norte-americanos para defender a adoção de medidas contra integrantes do Judiciário brasileiro. Entre as iniciativas mencionadas na denúncia estão propostas de restrições de vistos, sanções individuais e medidas econômicas direcionadas a autoridades nacionais.

Para a Procuradoria, as articulações teriam como objetivo pressionar o Supremo Tribunal Federal em meio ao julgamento de processos envolvendo aliados do ex-presidente. O órgão sustenta que as ações ultrapassaram os limites da manifestação política e configuraram tentativa de interferência sobre instituições brasileiras.

Nos memoriais finais encaminhados ao Supremo, Gonet argumentou que Eduardo Bolsonaro utilizou sua influência política e seus contatos internacionais para criar um ambiente de pressão sobre autoridades responsáveis pelos julgamentos em curso. A acusação afirma que a estratégia buscava beneficiar investigados e alterar o ambiente institucional em torno dos processos.

A defesa do ex-deputado contesta as acusações e sustenta que suas manifestações estão protegidas pela liberdade de expressão e pela atividade política. Os advogados também questionam a interpretação adotada pela acusação em relação aos contatos mantidos por Eduardo Bolsonaro no exterior.

O julgamento é acompanhado com atenção nos meios político e jurídico por envolver discussões sobre os limites da atuação de representantes políticos brasileiros junto a governos estrangeiros e o alcance das garantias constitucionais relacionadas à atividade parlamentar e à liberdade de manifestação.

A decisão da Primeira Turma poderá encerrar uma das ações de maior repercussão envolvendo integrantes da família Bolsonaro desde o início dos processos relacionados aos atos antidemocráticos investigados pela Justiça brasileira.