Em Belo Horizonte, Leonardo Ângelo da Itatiaia é cassado e Reinaldinho (PSDB) deve assumir como vereador

Decisão da Justiça Eleitoral aponta irregularidades graves na campanha e muda composição da Câmara de BH

Em Belo Horizonte, Leonardo Ângelo da Itatiaia é cassado e Reinaldinho (PSDB) deve assumir como vereador

A Justiça Eleitoral de Belo Horizonte determinou a cassação do mandato do vereador Leonardo Ângelo, conhecido como Leonardo Ângelo da Itatiaia, eleito pelo Cidadania. A decisão foi proferida pela 29ª Zona Eleitoral e também torna o parlamentar inelegível por oito anos, além de anular os 6.156 votos obtidos nas eleições municipais de 2024.

Com a anulação dos votos, quem deve assumir a vaga na Câmara Municipal é Reinaldo Oliveira Batista, o Reinaldinho, filiado ao PSDB. Ele foi o primeiro suplente da federação Cidadania PSDB e atualmente ocupa o cargo de subsecretário de Gestão Descentralizada da Prefeitura de Belo Horizonte.

A cassação atende a uma ação apresentada pelo próprio Reinaldinho, que ficou fora do Legislativo por uma diferença de 1.080 votos. Na sentença, o juiz eleitoral Marcos Antônio da Silva apontou a existência de uma estrutura paralela de campanha que teria atuado de forma decisiva para impulsionar a candidatura de Leonardo Ângelo.

Segundo a decisão, a campanha teria sido beneficiada por recursos e apoio operacional vinculados à candidatura majoritária de Mauro Tramonte, com a atuação de coordenadores regionais e centenas de militantes. Depoimentos colhidos no processo indicam que coordenadores receberam pagamentos para promover o então vereador, com recursos que não constaram na prestação oficial de contas.

Mensagens trocadas por aplicativos de comunicação, validadas por atas notariais, reforçaram a conclusão da Justiça de que houve financiamento irregular. A investigação estimou que os gastos não declarados superaram 450 mil reais, valor muito acima do montante oficialmente informado, caracterizando abuso de poder econômico e uso de fonte vedada.

A sentença também apontou indícios de corrupção eleitoral, com promessas de cargos públicos em troca de apoio político e desistência de candidaturas concorrentes. O Ministério Público Eleitoral se manifestou pela procedência da ação, afirmando que o conjunto de provas comprometeu a legitimidade e a normalidade do processo eleitoral.

Na fundamentação, o juiz destacou que o volume de recursos ocultos deu à campanha uma dimensão desproporcional em relação aos adversários e que, diante da diferença apertada de votos, as irregularidades tiveram potencial concreto de interferir no resultado da eleição.