Erika Hilton aponta ‘privilégio branco’ no PSOL e questiona distribuição de fundo eleitoral

Deputada acusa partido de descumprir acordo sobre repasses do fundo eleitoral; PSOL nega mudança em política de inclusão e diz que parlamentar terá maior investimento proporcional da sigla

Erika Hilton aponta ‘privilégio branco’ no PSOL e questiona distribuição de fundo eleitoral

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) tornou pública uma crise interna no PSOL ao acusar a direção nacional do partido de descumprir acordos sobre a distribuição do fundo eleitoral para as eleições de 2026. A parlamentar, que pretende disputar a reeleição, afirmou que a sigla estaria favorecendo nomes recém-chegados ou candidatos sem mandato em detrimento de parlamentares que já carregam peso eleitoral para o partido.

A crítica foi feita nas redes sociais, onde Erika disse estar decepcionada com a condução das negociações internas. Segundo a deputada, havia um compromisso para que ela fosse tratada como uma das principais puxadoras de voto do PSOL em São Paulo, condição que teria pesado na decisão de permanecer no partido durante a montagem eleitoral.

O incômodo da parlamentar envolve a proposta em discussão para a divisão dos recursos do fundo eleitoral. Erika afirma que o partido estaria colocando sua candidatura no mesmo patamar de novos nomes da sigla, como Manuela D’Ávila (PSOL-RS), pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, e Juliano Medeiros (PSOL), ex-presidente nacional do partido e atual presidente da federação PSOL-Rede.

A deputada também afirmou que a discussão interna desmontaria uma política nacional de inclusão que previa critérios de distribuição de recursos considerando gênero, raça e candidaturas de pessoas com deficiência. Em sua manifestação, Erika citou o que chamou de “privilégio branco e cis” dentro da estrutura partidária.

O episódio expõe uma tensão sensível para uma legenda que costuma apresentar diversidade e inclusão como bandeiras centrais. A cobrança pública de uma de suas principais figuras no Congresso abre uma crise justamente em torno da aplicação prática desses critérios na disputa pelo fundo eleitoral.

Erika foi eleita deputada federal em 2022 com mais de 250 mil votos em São Paulo e ganhou projeção nacional em pautas ligadas a direitos sociais e relações de trabalho. No último período, também se destacou nas articulações em torno do debate sobre o fim da escala 6×1, tema que ampliou sua visibilidade nas redes e no Congresso.

Em resposta, o PSOL afirmou que não há discussão para alterar sua política de inclusão voltada a mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e pessoas com deficiência. A direção da sigla disse ainda que a campanha de Erika deverá receber o maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido, dentro dos limites de recursos disponíveis e da necessidade de financiar candidaturas em diferentes estados.

Juliano Medeiros afirmou que não participa de instâncias executivas ou diretivas do PSOL e que não acompanhou os debates sobre a distribuição dos recursos eleitorais. Manuela D’Ávila não se manifestou sobre o caso.

A decisão final sobre os critérios de distribuição do fundo eleitoral ainda deve passar por deliberação interna do partido. Até lá, a crise aberta por Erika coloca o PSOL diante de uma disputa pública por recursos, prioridade eleitoral e coerência entre discurso e prática partidária.