Fabiano Lana: “O Brasil não pode merecer Flávio. Mas o petismo merece”

A missão agoniante da esquerda brasileira nestas duas semanas que faltam para as eleições presidenciais é tentar virar votos. Chega de chamar todo o mundo de quem discordava por anos de machista, tóxico, misógino, direitista ou fascista. Agora é a hora de, educadamente, pedir perdão e fazer o convite para se votar 13 nas urnas. Afinal, “com Flávio não dá, ele seria uma ameaça à democracia, aos direitos sociais, às mulheres, ao meio ambiente, etc.” Convencer de que o quadro a se desenhar para o futuro do Brasil, em caso da vitória do PL, é sombrio, desolador, irrespirável.
Mas há uma questão aí a ser ponderada. Todos os candidatos que competiram com o Partido dos Trabalhadores nas últimas décadas receberam adjetivos desejantes semelhantes aos agora atribuídos a Flávio. Queimaram os cartuchos do discurso do pavor com gente como os tucanos José Serra, Aécio Neves e o mesmo o atual vice, Geraldo Alckmin (lembram-se de que ele era uma ameaça por ser da ultrarrea organização católica, Opus Dei?). Mesmo que o candidato a ser batido vista melhor o figurino das acusações, o veneno hoje é inócuo. “Ah, o Flávio também é isso tudo que vocês sempre atribuíram aos outros?”, pode perguntar um indeciso mais distraído, lembrando-se também de que o pai, Jair Bolsonaro , era alvo do mesmo tipo de discurso. Não trabalhou em 2018, irá funcionar em 2026?
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O discurso contra a mentira política também parece ter sido abandonado pelo petismo. Vale dizer que Flávio vai acabar com o Pix, na espantosa declaração da historiadora Lilian Schwarcz? Ou mesmo quando o escritor Marcelo Rubens Paiva arrasou os dados sobre o desemprego na Argentina para fazer terrorismo eleitoral. Ou então, aceitar que uma figura controversa como o deputado André Janones seja uma arma de campanha. A hipocrisia agora domina as redes. Virou um “esqueça, por favor, tudo o que eu disse, tudo o que pensei e tudo pelo que militei”.
O dilema do PT, portanto, é tentar conversar com quem sempre desprezaram. A saber, os eleitores de centro e centro-direita que votaram, por exemplo, em candidatos como Ronaldo Caiado ou Renan Santos. É gente que coloca um peso forte em criminalidade, tem valores conservadores, admira o agronegócio brasileiro e quer equilíbrio nas contas públicas. Colocar a deputada radical Ana Elisa para falar com esse pessoal ou dizer que Flávio Bolsonaro irá repetir as ações do presidente argentino Javier Milei não é uma estratégia eficiente. Eles estão jogando para o adversário.
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A questão é que o petismo se acostumou a não dialogar mais com a sociedade, por mais que receba alerta neste sentido. Não tem uma comunicação horizontal com a população. É de cima para baixo: dos civilizados contra os bárbaros, sem entender os próprios. Lula não parece ser mais um torneiro mecânico de origem humilde, mas um imperador decadente cercado por serviços que não o deixam ter contato direto com o mundo.
Lula, uma das figuras mais destacadas da história brasileira, o três vezes presidente eleito, arrisca-se a perder para um contendor sem biografia, com uma série de histórias mal explicadas, e que nunca disse o que pretende fazer com o governo do país. Mas a verdade é que o movimento de Flávio, o bolsonarismo, tem sabido se comunicar olho a olho com a sociedade. Os petistas seguem se achando as verdades que precisam ensinar ao andar de baixo como devem pensar e se comportar. Nesse sentido, ganhe perder pela cegueira. O drama é que dizer que o petismo merece perder não tem como conclusão lógica que o Flávio merece vencer. O Brasil está em uma antinomia.
A missão agoniante da esquerda brasileira nestas duas semanas que faltam para as eleições presidenciais é tentar virar votos. Chega de chamar todo o mundo de quem discordava por anos de machista, tóxico, misógino, direitista ou fascista. Agora é a hora de, educadamente, pedir perdão e fazer o convite para se votar 13 nas urnas. Afinal, “com Flávio não dá, ele seria uma ameaça à democracia, aos direitos sociais, às mulheres, ao meio ambiente, etc.” Convencer de que o quadro a se desenhar para o futuro do Brasil, em caso da vitória do PL, é sombrio, desolador, irrespirável.
Mas há uma questão aí a ser ponderada. Todos os candidatos que competiram com o Partido dos Trabalhadores nas últimas décadas receberam adjetivos desejantes semelhantes aos agora atribuídos a Flávio. Queimaram os cartuchos do discurso do pavor com gente como os tucanos José Serra, Aécio Neves e o mesmo o atual vice, Geraldo Alckmin (lembram-se de que ele era uma ameaça por ser da ultrarrea organização católica, Opus Dei?). Mesmo que o candidato a ser batido vista melhor o figurino das acusações, o veneno hoje é inócuo. “Ah, o Flávio também é isso tudo que vocês sempre atribuíram aos outros?”, pode perguntar um indeciso mais distraído, lembrando-se também de que o pai, Jair Bolsonaro , era alvo do mesmo tipo de discurso. Não trabalhou em 2018, irá funcionar em 2026?
O discurso contra a mentira política também parece ter sido abandonado pelo petismo. Vale dizer que Flávio vai acabar com o Pix, na espantosa declaração da historiadora Lilian Schwarcz? Ou mesmo quando o escritor Marcelo Rubens Paiva arrasou os dados sobre o desemprego na Argentina para fazer terrorismo eleitoral. Ou então, aceitar que uma figura controversa como o deputado André Janones seja uma arma de campanha. A hipocrisia agora domina as redes. Virou um “esqueça, por favor, tudo o que eu disse, tudo o que pensei e tudo pelo que militei”.
O dilema do PT, portanto, é tentar conversar com quem sempre desprezaram. A saber, os eleitores de centro e centro-direita que votaram, por exemplo, em candidatos como Ronaldo Caiado ou Renan Santos. É gente que coloca um peso forte em criminalidade, tem valores conservadores, admira o agronegócio brasileiro e quer equilíbrio nas contas públicas. Colocar a deputada radical Ana Elisa para falar com esse pessoal ou dizer que Flávio Bolsonaro irá repetir as ações do presidente argentino Javier Milei não é uma estratégia eficiente. Eles estão jogando para o adversário.
A questão é que o petismo se acostumou a não dialogar mais com a sociedade, por mais que receba alerta neste sentido. Não tem uma comunicação horizontal com a população. É de cima para baixo: dos civilizados contra os bárbaros, sem entender os próprios. Lula não parece ser mais um torneiro mecânico de origem humilde, mas um imperador decadente cercado por serviços que não o deixam ter contato direto com o mundo.
Lula, uma das figuras mais destacadas da história brasileira, o três vezes presidente eleito, arrisca-se a perder para um contendor sem biografia, com uma série de histórias mal explicadas, e que nunca disse o que pretende fazer com o governo do país. Mas a verdade é que o movimento de Flávio, o bolsonarismo, tem sabido se comunicar olho a olho com a sociedade. Os petistas seguem se achando as verdades que precisam ensinar ao andar de baixo como devem pensar e se comportar. Nesse sentido, ganhe perder pela cegueira. O drama é que dizer que o petismo merece perder não tem como conclusão lógica que o Flávio merece vencer. O Brasil está em uma antinomia.
A missão agoniante da esquerda brasileira nestas duas semanas que faltam para as eleições presidenciais é tentar virar votos. Chega de chamar todo o mundo de quem discordava por anos de machista, tóxico, misógino, direitista ou fascista. Agora é a hora de, educadamente, pedir perdão e fazer o convite para se votar 13 nas urnas. Afinal, “com Flávio não dá, ele seria uma ameaça à democracia, aos direitos sociais, às mulheres, ao meio ambiente, etc.” Convencer de que o quadro a se desenhar para o futuro do Brasil, em caso da vitória do PL, é sombrio, desolador, irrespirável.
Mas há uma questão aí a ser ponderada. Todos os candidatos que competiram com o Partido dos Trabalhadores nas últimas décadas receberam adjetivos desejantes semelhantes aos agora atribuídos a Flávio. Queimaram os cartuchos do discurso do pavor com gente como os tucanos José Serra, Aécio Neves e o mesmo o atual vice, Geraldo Alckmin (lembram-se de que ele era uma ameaça por ser da ultrarrea organização católica, Opus Dei?). Mesmo que o candidato a ser batido vista melhor o figurino das acusações, o veneno hoje é inócuo. “Ah, o Flávio também é isso tudo que vocês sempre atribuíram aos outros?”, pode perguntar um indeciso mais distraído, lembrando-se também de que o pai, Jair Bolsonaro , era alvo do mesmo tipo de discurso. Não trabalhou em 2018, irá funcionar em 2026?
O discurso contra a mentira política também parece ter sido abandonado pelo petismo. Vale dizer que Flávio vai acabar com o Pix, na espantosa declaração da historiadora Lilian Schwarcz? Ou mesmo quando o escritor Marcelo Rubens Paiva arrasou os dados sobre o desemprego na Argentina para fazer terrorismo eleitoral. Ou então, aceitar que uma figura controversa como o deputado André Janones seja uma arma de campanha. A hipocrisia agora domina as redes. Virou um “esqueça, por favor, tudo o que eu disse, tudo o que pensei e tudo pelo que militei”.
O dilema do PT, portanto, é tentar conversar com quem sempre desprezaram. A saber, os eleitores de centro e centro-direita que votaram, por exemplo, em candidatos como Ronaldo Caiado ou Renan Santos. É gente que coloca um peso forte em criminalidade, tem valores conservadores, admira o agronegócio brasileiro e quer equilíbrio nas contas públicas. Colocar a deputada radical Ana Elisa para falar com esse pessoal ou dizer que Flávio Bolsonaro irá repetir as ações do presidente argentino Javier Milei não é uma estratégia eficiente. Eles estão jogando para o adversário.
A questão é que o petismo se acostumou a não dialogar mais com a sociedade, por mais que receba alerta neste sentido. Não tem uma comunicação horizontal com a população. É de cima para baixo: dos civilizados contra os bárbaros, sem entender os próprios. Lula não parece ser mais um torneiro mecânico de origem humilde, mas um imperador decadente cercado por serviços que não o deixam ter contato direto com o mundo.
Lula, uma das figuras mais destacadas da história brasileira, o três vezes presidente eleito, arrisca-se a perder para um contendor sem biografia, com uma série de histórias mal explicadas, e que nunca disse o que pretende fazer com o governo do país. Mas a verdade é que o movimento de Flávio, o bolsonarismo, tem sabido se comunicar olho a olho com a sociedade. Os petistas seguem se achando as verdades que precisam ensinar ao andar de baixo como devem pensar e se comportar. Nesse sentido, ganhe perder pela cegueira. O drama é que dizer que o petismo merece perder não tem como conclusão lógica que o Flávio merece vencer. O Brasil está em uma antinomia.
Opinião por Fabiano Lana
Fabiano Lana é formado em Comunicação Social pela UFMG e em Filosofia pela UnB, onde também tem mestrado na área. Foi repórter do Jornal do Brasil, entre outros veículos. Atua como consultor de comunicação. É autor do livro “Brasil acima da lucidez”, em que discute a política, a história, a cultura e a sociedade brasileira.