Filipe Barros atuou para beneficiar Vorcaro e pressionar Banco Central

O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), aliado próximo do clã Bolsonaro, esteve no centro de polêmicas ao pautar medidas que beneficiariam o Banco Master e Daniel Vorcaro, enquanto exercia a presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados. Entre novembro de 2024 e setembro de 2025, período em que a tentativa de venda do banco para o BRB gerava questionamentos, Barros protocolou sete requerimentos, um projeto de lei e organizou uma audiência pública com o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e convite ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O projeto apresentado pelo parlamentar ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, medida que poderia beneficiar diretamente investidores do Master. O conteúdo do PL era idêntico à emenda apresentada anteriormente pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) no Senado. Apesar do movimento, Barros negou ter discutido o assunto com Nogueira ou qualquer contato direto com Vorcaro, alegando interesse em regulação financeira e segurança do sistema bancário.
Em junho de 2025, o deputado voltou a provocar debate na CREDN, convidando o presidente da CVM, João Pedro Nascimento, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar de temas como ataques hackers ao sistema Pix e impactos da regulação sobre a soberania econômica, mesmo que relacionados indiretamente à comissão. Durante a sessão, questionou decisões da CVM sobre ofertas públicas de aquisição ligadas a fundos que atuaram junto ao Master e à Ambipar.
Filipe Barros afirmou à equipe do blog que todas as ações tiveram caráter institucional e regulatório. “Não é possível dissociar a soberania nacional da econômica. O fato de países externos utilizarem sanções para impor suas vontades mostra a necessidade de monitoramento rigoroso e atuação diligente do Congresso”, disse. O parlamentar, atualmente pré-candidato ao Senado, defendeu que suas iniciativas visavam proteger investidores e fiscalizar irregularidades no setor financeiro, mantendo diálogo constante com autoridades da CVM e do Banco Central.