Flávio Bolsonaro recebeu R$ 500 mil de empresa laranja de Vorcaro por ‘serviços advocatícios’

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada em abril de 2025, supostamente para serviços advocatícios prestados à Copenhagen Assessoria e Consultoria, empresa que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. As duas notas foram canceladas, uma no mesmo dia e outra dois dias depois, segundo apuração da Folha e do site Metrópoles.
A Copenhagen Assessoria possui ligação com o fundo Estonia, controlado por Tercio Borlenghi Junior, investigado junto a Daniel Vorcaro e ao Banco Master por manipulação de mercado. A empresa tem como diretor Rogério Lourenço Novo, responsável pela Contábil Correa, que também prestou serviços a Flávio Bolsonaro por meio de seu escritório de advocacia.
Em vídeo publicado em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro negou ter atuado diretamente para a Copenhagen. “Não aceitei trabalhar para essa empresa que supostamente é utilizada por Daniel Vorcaro para pagamentos. Não foi o meu caso”, afirmou. O senador acrescentou que a divulgação das notas fiscais seria uma tentativa de prejudicar sua reputação durante a campanha eleitoral.
O parlamentar explicou que prestou serviços advocatícios para a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, e que a contratação junto à Copenhagen não avançou, não gerando pagamento. Flávio ressaltou que não tem qualquer vínculo com o Banco Master ou seus sócios.
A situação ocorre em meio à investigação da família Bolsonaro relacionada a pagamentos de Vorcaro e à produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A exposição das notas fiscais e dos diálogos com Vorcaro em maio afetou a estratégia de campanha do senador, que enfrenta dificuldades para formar alianças e disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais.
A convenção nacional do PL que oficializará a candidatura de Flávio à Presidência está marcada para 25 de julho em São Paulo.