Gleisi se lança ao senado e chama Moro de ‘juiz ladrão’

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) lançou sua pré-candidatura ao Senado pelo Paraná em um ato marcado por ataques ao senador Sergio Moro, adversário direto do campo petista no estado e pré-candidato ao governo estadual pelo PL. A fala elevou o tom da disputa paranaense e antecipou o clima de confronto que deve dominar a eleição de 2026 entre PT e bolsonarismo.
Durante o evento realizado no sábado, em Curitiba, Gleisi afirmou que a esquerda vai derrotar “a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão do Paraná”, em referência a Sergio Moro. A declaração foi feita ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva, em um ato que também marcou o lançamento da pré-candidatura de Requião Filho ao governo do Paraná.
A frase de Gleisi reacendeu a rivalidade política construída desde a Operação Lava Jato e expôs novamente o peso que o Paraná terá no tabuleiro nacional de 2026. Ex-ministro do governo Lula, Gleisi tenta voltar ao Senado em uma disputa que deve concentrar forte carga simbólica para o PT, especialmente pelo embate com o grupo político associado à Lava Jato e ao bolsonarismo.
Sergio Moro (PL-PR), ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, lançou sua pré-candidatura ao governo do Paraná dias antes, em evento com a presença de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL. Na ocasião, também foram apresentadas as pré-candidaturas de Filipe Barros ao Senado pelo PL e de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Novo.
A movimentação mostra que o Paraná deve ser um dos palcos mais duros da eleição. De um lado, o PT tenta reconstruir força no estado com Gleisi ao Senado e Requião Filho ao governo. De outro, o campo bolsonarista busca transformar Moro em candidato competitivo ao Palácio Iguaçu, com apoio de lideranças nacionais da direita.
Após a declaração da deputada, Moro reagiu nas redes sociais e afirmou que pretende “bloquear” as pretensões do PT no Paraná. O senador também criticou o evento petista e tentou vincular seus adversários a pautas do governo Lula, em uma estratégia de nacionalização da disputa estadual.
A troca de ataques ocorre em um momento de desgaste do governo federal e de reorganização das forças políticas para 2026. O PT aposta na militância e na memória da disputa contra a Lava Jato para mobilizar sua base. Já o bolsonarismo tenta explorar a rejeição ao governo Lula e se apresentar como principal força de oposição, mesmo carregando o desgaste de uma direita marcada por radicalização e conflitos institucionais.
Para o eleitor que busca equilíbrio, responsabilidade pública e uma saída distante dos extremos, o episódio revela como a política brasileira segue presa ao confronto permanente entre petismo e bolsonarismo. No Paraná, a disputa mal começou, mas já indica que a eleição será menos sobre propostas concretas para o estado e mais sobre a tentativa de reviver batalhas nacionais que dividiram o país nos últimos anos.