Governo Lula impõe sigilo em telegramas com a Venezuela e com EUA sobre JBS e Joesley

Documentos diplomáticos que tratam de negociações sensíveis e da atuação da maior empresa brasileira no exterior ficam vedados ao público por cinco anos, em meio a tensões comerciais e interesses bilaterais.

Governo Lula impõe sigilo em telegramas com a Venezuela e com EUA sobre JBS e Joesley

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que dois telegramas trocados entre o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e a embaixada brasileira nos Estados Unidos, que mencionam a JBS e seus controladores, fiquem sob sigilo por cinco anos. A medida foi justificada pelo risco de prejuízo às relações diplomáticas e ao andamento de negociações comerciais em curso entre Brasil e Washington.

A classificação como “reservada” abrange mensagens encaminhadas nos dias 14 e 31 de julho de 2025 e foi confirmada pelo Itamaraty em resposta a um requerimento da Câmara dos Deputados solicitado pelo deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM). Segundo a pasta, a revelação do conteúdo poderia afetar as tratativas entre os dois países, que incluem temas econômicos e acordos de comércio ainda em discussão.

Nos documentos sigilosos, a JBS é citada junto com outras empresas brasileiras, sem foco exclusivo, e os telegramas teriam relação com investimentos e com a visita de uma comissão parlamentar brasileira a Washington para tratar de assuntos econômico‑comerciais.

A decisão de proteger essas comunicações ocorre em meio a um contexto de disputas tarifárias e negociações diplomáticas delicadas entre Brasil e EUA, em que o papel de grandes empresas brasileiras no mercado internacional, como a JBS, está sob maior escrutínio.

Além disso, o governo petista já havia imposto o mesmo prazo de sigilo a telegramas envolvendo os interesses dos irmãos Joesley e Wesley Batista na Venezuela, em meio a movimentações empresariais e disputas geopolíticas na região.

Essa vedação de acesso a documentos que tratam de relações estratégicas e de interesses econômicos internacionais levanta questionamentos sobre transparência no trato de temas que envolvem uma das maiores empresas brasileiras no exterior e sua interlocução com potências globais.