Governo Lula perde a guerra da segurança pública e não tem articulação política

Aliados pressionam por um comando firme na área, criticam falta de convicção do presidente e veem o Planalto refém de divisões que enfraquecem o discurso em pleno ano pré-eleitoral.

Governo Lula perde a guerra da segurança pública e não tem articulação política

A pressão dentro do governo Lula chegou a um ponto delicado: aliados próximos passaram a afirmar, sem rodeios, que falta um verdadeiro “xerife” no comando da segurança pública. A crítica, que ecoa tanto na base quanto em setores estratégicos do Planalto, revela um incômodo crescente com a postura do presidente, considerado pouco convicto sobre o enfrentamento ao crime organizado tema que deve dominar o debate nacional até 2026.

Esse mal-estar se intensificou após a derrota do governo na votação do projeto de lei antifacção na Câmara. O texto do relator Guilherme Derrite, aprovado com larga margem, expôs a fragilidade política do Planalto e a dificuldade de articular um discurso que resista à pressão da oposição, especialmente quando o assunto é segurança.

Dentro da base, parte dos parlamentares ainda defende a criação de um Ministério da Segurança Pública, mas poucos acreditam que Lula seguirá adiante com a proposta. A divisão interna no governo e as resistências históricas do PT ao tema travam qualquer avanço. Ao mesmo tempo, há uma avaliação consolidada: o atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, não possui o perfil de confronto necessário para enfrentar a direita no debate público.

Até recentemente, o Planalto tratava segurança como um assunto restrito às eleições estaduais. Mas a ofensiva do governo do Rio contra o Comando Vermelho, nos complexos do Alemão e da Penha, mudou o cenário. A oposição assumiu o protagonismo, e o governo federal foi arrastado ao centro da discussão sem um discurso claro, sem estratégia unificada e sem liderança reconhecida.

A equação fica ainda mais complicada com o ruído político no Senado. O Planalto apostava que a Casa revisaria pontos críticos do projeto antifacção, especialmente com o relator Alessandro Vieira buscando consenso. No entanto, a insatisfação de Davi Alcolumbre com a indicação de Jorge Messias ao Supremo, preterindo o senador Rodrigo Pacheco, levanta dúvidas sobre o quanto o Senado estará disposto a ajudar o governo nessa batalha.

O saldo é claro: enquanto o tema avança com força nas mãos da oposição, o governo Lula enfrenta sua maior vulnerabilidade política justamente na área em que mais precisa demonstrar autoridade.