Governo Milei rejeita pedido de desculpas e critica decisão do Brasil de reduzir relação diplomática

Chanceler argentino classificou medida do Itamaraty como unilateral após crise envolvendo declarações de Javier Milei contra Lula

Governo Milei rejeita pedido de desculpas e critica decisão do Brasil de reduzir relação diplomática

O governo da Argentina afirmou nesta quarta-feira (5) que não pretende pedir desculpas ao Brasil pelas declarações do presidente Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que levaram o Itamaraty a reduzir temporariamente o nível da representação diplomática entre os dois países.

Em entrevista coletiva, o chanceler argentino Pablo Quirno classificou a decisão brasileira como “lamentável” e “unilateral”, mas afirmou que Buenos Aires pretende manter abertas as vias de diálogo com Brasília.

Segundo o ministro argentino, as divergências entre os governos fazem parte de um cenário de diferenças políticas e ideológicas que, na avaliação dele, já vinham ocorrendo nos últimos anos.

“Lula proferiu insultos ao nosso presidente que não foram respondidos”, afirmou Quirno, sem detalhar quais declarações estaria mencionando. O chanceler também declarou que a América do Sul passa por mudanças políticas e indicou apoio à possibilidade de uma mudança de governo no Brasil nas próximas eleições.

A crise diplomática aumentou após o governo brasileiro decidir manter fora de Buenos Aires o embaixador Julio Bitelli. Com a medida, a representação do Brasil na Argentina passa a ser conduzida por um encarregado de negócios, sem a presença do principal representante diplomático.

Do lado argentino, o embaixador Guillermo Daniel Raimondi também foi informado sobre a possibilidade de retorno a Buenos Aires. As tratativas entre os dois governos passarão a ocorrer por meio dos representantes diplomáticos responsáveis pelos encargos temporários.

A decisão brasileira foi tomada após uma sequência de declarações de Milei contra Lula. O presidente argentino participou, em julho, de um evento político no Brasil que lançou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e fez críticas ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Dias depois, em entrevista ao canal argentino LN+, Milei voltou a atacar Lula e repetiu acusações contra o presidente brasileiro, ampliando o desgaste entre os dois países.

O governo argentino, porém, afirmou que não pretende adotar novas medidas diplomáticas em resposta à decisão brasileira. “Estamos sempre dispostos a manter as relações. De nosso lado, não haverá nenhuma reação diplomática”, declarou Pablo Quirno.

A tensão ocorre entre dois dos principais países da América do Sul, que mantêm uma relação histórica de cooperação econômica e comercial. Apesar do conflito político entre os governos, setores diplomáticos dos dois países defendem a preservação dos canais institucionais para evitar impactos nas relações bilaterais.