Hugo Motta articula aliança com PT e Centrão para isolar PL na disputa pelo comando da Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou as articulações para construir uma ampla aliança parlamentar capaz de garantir sua reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027. A estratégia envolve partidos de centro e de esquerda e busca reduzir o espaço de negociação do PL, que terá a maior bancada da próxima legislatura.
Segundo informações publicadas nesta sexta-feira, 16 de outubro, pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, a intenção de Motta é reunir mais de 350 deputados em um único bloco, número suficiente para assegurar uma posição majoritária nas negociações pela presidência da Câmara, pela composição da Mesa Diretora e pelo comando das comissões permanentes.
A articulação começou a ganhar forma após uma reunião com dirigentes partidários realizada nesta semana, em Brasília. No encontro, representantes de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos confirmaram a continuidade da aliança parlamentar na próxima legislatura.
O grupo também formalizou apoio à recondução de Motta à presidência da Câmara, antecipando as negociações que normalmente se intensificam após a posse dos deputados eleitos.
A federação PSDB-Cidadania integra o bloco de centro que pretende atuar de maneira conjunta na definição dos principais cargos da Casa, ao lado de outras legendas que buscam preservar sua participação nas decisões do Legislativo.
A próxima etapa da articulação será tentar incorporar partidos de esquerda, como PT, PCdoB, PSB e PDT, além de siglas como Solidariedade, PRD e Avante.
A ampliação permitiria ao atual presidente construir uma maioria parlamentar que ultrapassaria os limites tradicionais do Centrão, reunindo partidos com posições distintas na disputa presidencial.
O movimento ocorre após o crescimento expressivo do PL nas eleições de outubro. A legenda de Flávio Bolsonaro (PL) elegeu 121 deputados federais, consolidando-se como a maior bancada individual da Câmara.
Apesar do desempenho eleitoral, o partido poderá enfrentar dificuldades para conquistar posições de destaque na estrutura interna da Casa caso permaneça fora do bloco articulado por Motta.
Pelas projeções apresentadas por aliados do presidente da Câmara, o PL poderia ficar restrito a uma suplência na Mesa Diretora e perder prioridade na escolha das presidências das comissões temáticas.
Uma das consequências atingiria diretamente os planos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que pretende disputar o comando da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
A comissão é responsável por examinar a constitucionalidade e a juridicidade de propostas legislativas e ocupa uma posição relevante na tramitação de projetos e emendas constitucionais.
Segundo os cálculos divulgados pelo Metrópoles, caso não participe da aliança, o PL poderia ficar apenas com a 16ª preferência na distribuição das comissões, reduzindo suas possibilidades de assumir colegiados considerados estratégicos.
Essas projeções, entretanto, dependem da formação definitiva dos blocos e da aplicação das regras regimentais no início da próxima legislatura.
Além de influenciar a divisão dos cargos, a articulação busca evitar que o PL apresente uma candidatura própria à presidência da Câmara.
Atualmente, dois parlamentares do partido são apontados como possíveis concorrentes: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ). Ambos participam das discussões internas sobre a estratégia que a legenda adotará na eleição de fevereiro.
A possibilidade de isolamento coloca o PL diante de uma negociação política: integrar a aliança e participar da divisão dos espaços de poder ou manter uma candidatura própria e disputar o comando da Câmara sem o apoio das demais legendas.
Motta já utilizou estratégia semelhante em sua primeira eleição para a presidência da Casa, em fevereiro de 2025. Na ocasião, reuniu o apoio de 17 partidos, que somavam 489 deputados, incluindo integrantes do próprio PL.
A nova articulação também ocorre em um cenário de reorganização das forças políticas após as eleições de 2026. Embora o PL tenha ampliado significativamente sua representação, partidos de centro procuram estabelecer acordos para manter influência sobre o funcionamento do Congresso.
A eleição para a presidência da Câmara está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Até lá, Motta pretende ampliar a adesão ao bloco e consolidar os apoios necessários à sua recondução, enquanto o PL avalia as condições para apresentar um candidato próprio.
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